Para onde caminha a Educação…

Durante a minha caminhada como consultor em Gestão Empresarial e estudante de Pedagogia, envolvido nos processos de gestão de um conceituado Grupo Educacional, certa ocasião recebi um convite para dar aulas de Física para o ensino médio, em substituição a uma professora em licença maternidade. À princípio o convite pareceu mais uma provocação em tom de brincadeira, mas, para a surpresa de todos, aceitei o desafio, o que se revelou uma excelente oportunidade para conhecer melhor o público que instituição atende e as várias vertentes de influência dos processos de gestão, aprendizado compartilho neste artigo.

A Pedagogia

Inicialmente é preciso esclarecer… Pode parecer estranho um consultor em gestão empresarial se envolver com aulas de Física… O que uma coisa tem a ver com outra?

Qualquer profissional que pretenda atuar como consultor deve ter um mínimo de atuação à nível multidisciplinar, pois, para um bom diagnóstico, é preciso ter visão de contexto.

No meu caso, por ter cursado Física (2 anos) e Engenharia, sempre com excelente desempenho na matéria, não causou estranheza a proposta para revisitar esses conteúdos, principalmente em vista de meus estudos correntes na área de Pedagogia.

A motivação

A grande motivação para aceitar o desafio surgiu em virtude da oportunidade para conhecer, em maior detalhe, aquela parcela do público-alvo da instituição, auxiliando o entendimento do quebra cabeças da gestão pedagógica.

Na área de gestão costumamos dizer que é preciso atuar com o foco do cliente, o que é diferente de “foco no cliente”. Atuar com o foco do cliente significa entender todos os aspectos envolvidos a partir da visão do outro.

Portanto, a aproximação em sala de aula é imprescindível para entender o que move esses alunos, como eles se comportam, como a equipe pedagógica reage, como as famílias se posicionam, etc

O modelo pedagógico

Segundo os mais recentes estudos na área de Pedagogia é unanime o entendimento de que o processo de ensino aprendizagem deve considerar práticas contextualizadas que resultem em uma aprendizagem significativa, em oposição à transmissão mecânica de conteúdo.

[…] Nesse sentido, Morin (2000, p. 14) destaca que: “É necessário introduzir e desenvolver na Educação o estudo das características cerebrais, mentais, culturais dos conhecimentos, de seus processos e modalidades, das disposições tanto psíquicas quanto culturais que conduzem ao erro ou à ilusão”.

Conclui-se que a preocupação com os estudos dos processos cognitivos dos alunos pode auxiliar a superar a visão de que o professor precisa dominar todo o conteúdo de determinada aula. Talvez seja mais válido construir conhecimentos e aprendizagens junto com os alunos, de maneira colaborativa, priorizando o processo cognitivo de todos os envolvidos […]

O próprio modelo preconizado na base nacional curricular comum (BNCC), faz referências a tais iniciativas, destacando:

[…] • contextualizar os conteúdos dos componentes curriculares, identificando estratégias para apresentá-los, representá-los, exemplificá-los, conectá-los e torná-los significativos, com base na realidade do lugar e do tempo nos quais as aprendizagens estão situadas;

decidir sobre formas de organização interdisciplinar dos componentes curriculares e fortalecer a competência pedagógica das equipes escolares para adotar estratégias mais dinâmicas, interativas e colaborativas em relação à gestão do ensino e da aprendizagem; selecionar e aplicar metodologias e estratégias didático-pedagógicas diversificadas, recorrendo a ritmos diferenciados e a conteúdos complementares, se necessário, para trabalhar com as necessidades de diferentes grupos de alunos, suas famílias e cultura de origem, suas comunidades, seus grupos de socialização etc.;

conceber e pôr em prática situações e procedimentos para motivar e engajar os alunos nas aprendizagens;

construir e aplicar procedimentos de avaliação formativa de processo ou de resultado que levem em conta os contextos e as condições de aprendizagem, tomando tais registros como referência para melhorar o desempenho da escola, dos professores e dos alunos;

selecionar, produzir, aplicar e avaliar recursos didáticos e tecnológicos para apoiar o processo de ensinar e aprender; […]

Portanto é evidente a necessidade de profunda reflexão sobre as ações práticas que possibilitam o ensino aprendizagem de maneira colaborativa, enfatizando a aprendizagem significativa.

Inovação

Como todo bom consultor, que não consegue se aquietar quando vê alguma não conformidade, desejoso de ver as melhorias implementadas, percebi ali uma oportunidade para rever o modelo vigente, o qual era essencialmente conteudista.

Antes de prosseguir cabe esclarecer o conceito de “Inovar”, simplificadamente podemos dizer que é fazer algo diferente com resultado.

Portanto não basta equipar as salas de aula com computadores, lousa eletrônica, entre outros diferentes aparatos tecnológicos, é necessário MUDAR o processo de como o ensino aprendizagem acontece, não basta mudar apenas a FORMA (com ou sem tecnologia).

Percebi que o modelo vigente em muito se assemelhava àquelas salas de aula de 100 anos atrás, o professor de um lado e os alunos sentados do outro, o professor apresenta o conteúdo e aplica as provas, sem maior comprometimento entre as partes.

Assim considerei que as premissas para a inovação seriam: (i) Promover uma atitude mais participativa dos alunos, mais protagonista de sua própria aprendizagem e, (ii) uma postura mais mediadora do professor, ensino menos conteudista.

A proposta

Inicialmente busquei sensibilizar o grupo de alunos quanto às expectativas da proposta, o caminho a trilhar e os objetivos a perseguir.

Talvez em virtude do baixo rendimento geral do alunos, vigentes até então, qualquer mudança poderia significar melhores notas, o que facilitou a aceitação geral do grupo.

Além disso, em que pese o caráter denso e complexo da matéria, Física, a conectividade com o mundo real poderia significar um facilitador para um ensino aprendizagem mais significativo.

Por outro lado, considerando o contexto tecnológico atual, o fácil acesso à informação e o interesse natural dos alunos pela internet, a melhor estratégia seria a apropriação desses instrumentos para o desenvolvimento das atividades.

A ideia central da proposta portanto consistia em: (i) apresentação dos conteúdos a estudar (pelo professor, como mediador), (ii) pesquisa dos temas propostos (pelos alunos, como protagonistas da própria aprendizagem), (iii) apresentação em sala de aula (pelos alunos mediados pelo professor), (iv) discussão sobre o temas tratados, revisão (professor e alunos);

A rejeição

A experiência fracassou no momento em que gerou demanda para alunos… Os quais não estavam habituados a pesquisar, buscar informação, refletir, planejar, criticar, etc.

A grande maioria se apresentou confortável na posição de aluno passivo, com o único compromisso de fazer prova e passar de ano, descompromissados com o efetivo aprendizado.

Deste ponto em diante, o trabalho adquiriu outro sentido, a reflexão mudou de foco, adquirindo um viés comportamental.

O perfil do aluno

Ficou evidente que o modelo pedagógico desejado, por si só, não pode ser implementado sem um trabalho prévio no âmbito comportamental.

O experimento evidenciou de forma muito clara a carência de maturidade das novas gerações, a falta de propósito reinante entre os adolescentes, a falta de respeito e senso de responsabilidade, entre outras fragilidades. Uma situação geral que muitas vezes também são influenciadas por condutas permissivas no âmbito familiar, resultando em indivíduos despreparados para lidar resilientemente com o mundo real.

Conclusão

De um lado fica a frustração de ver a situação vigente, o despreparo da geração que tem o compromisso de melhorar o mundo, porém fico feliz por ver que há profissionais e grupos educacionais, preocupados com a problemática e que todos os dias buscam uma forma de melhorar o mundo.

Eu particularmente, a poucos meses de me tornar Pedagogo, percebo a importância do trabalho de base, da educação em geral, como tenho visto na organização em questão, a exemplo de projetos como “Os amigos do Zippy” e “O Líder em mim”, entre outros, que exploram precocemente as questões comportamentais e emocionais, o que certamente, irá resultar, no futuro, em adolescentes mais preparados para o modelo de ensino aprendizagem colaborativo, como preconizado pelos estudiosos do assunto.

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Gestão Empresarial – Quando as peças não se encaixam…

Muitos empresários perdem o controle de seus negócios por não perceberem a falta de sintonia e engajamento de sua equipe… Liderar é diferente de chefiar… Liderar requer entrosamento com a equipe, cumplicidade e clareza de objetivos. Para desenvolver liderança é necessária muita humildade, disposição para rever conceitos e a adoção de postura isenta, só assim é possível trazer visibilidade para as diferentes perspectivas…

Introdução

Muitos empresários sequer percebem a situação caótica de seus negócios até o problema atingir o bolso. Para estes tudo vai muito bem e todos estão felizes em seus postos de trabalho.

Normalmente são empresários de sucesso, com perfil dominante, muito capazes, técnicos e pragmáticos. Tendem a comandar sem efetivamente envolver a equipe ou, se as envolve, não acompanha como deveria, o que gera distanciamento e alguma perda de credibilidade.

No médio/longo prazo gera ineficiência e crescente falta de comprometimento e cumplicidade da equipe. A situação se agrava quando surgem dificuldades financeiras advindas de crises econômicas ou qualquer outra circunstancia adversa.

Entender o que está acontecendo é o primeiro passo, virar as costas e ignorar os fatos pode ser catastrófico para o negócio…

Questões financeiras

Os primeiros indicadores que sinalizam que algo não anda bem são provenientes dos demonstrativos financeiros… Muito provavelmente se os resultados obtidos são reiteradamente desfavoráveis, desalinhados dos objetivos estratégicos, algo errado está acontecendo…

Diagnóstico empresarial

Para se ter uma boa perspectiva da situação é necessário realizar o diagnóstico empresarial. O diagnóstico empresarial é multidisciplinar e leva em conta as várias componentes do negócio, em termos financeiros, organizacionais, tecnológicos, mercadológicos e estratégicos.

Ao realizar o diagnóstico é possível detectar os “gaps” de gestão e a dimensão das situações de não conformidade, permitindo assim priorizar e planejar as ações necessárias para resolver os desafios apresentados.

Proteger a receita

Ainda que todos concordem que preservar as receitas constitui prioridade notamos uma certa falta de atenção por parte dos empresários com relação isso.

Na tentativa de desenvolver algum novo negócio ou recuperar algum projeto deficitário, muitos empresários acabam comprometendo a fatia saudável do negócio, agravando a situação geral.

Para proteger a receita é preciso avaliar com muito critério as atividades lucrativas e prioritárias para o negócio, blindando-as.

Sistemas de Gestão

Independentemente do tamanho do empreendimento é de suma importância a utilização de um sistema integrado de informação (ERP, Enterprise Resource Planning), capaz de dar suporte aos processos de negócio de forma consistente. Negligenciar o uso da tecnologia representa um grave risco à perenidade do negócio.

Existem inúmeras soluções para “Sistema de Gestão” no mercado, algumas gratuitas, outras muito sofisticadas e extremamente caras, mas com certeza sempre haverá uma compatível com a realidade de cada negócio.

Sem um sistema de gestão adequado é quase impossível atender a todas as demandas de uma gestão eficaz.

Liderança

A liderança deve estar alicerçada em valores, nada se consegue quando a liderança se confunde com a relação de subordinação. A liderança em seu maior grau admite delegação integral, não requer supervisão e goza de confiança recíproca.

O líder promove um ambiente positivo e despreocupado, acredita
em si mesmo, nos outros e no futuro. O líder interage com todos de forma respeitosa e cooperativa para otimizar recursos humanos e materiais.

O líder se concentra nas ações importantes e evita desvios, cria um fluxo de significados entre as partes.

O líder mantém a calma e o ânimo independente das circunstâncias.

O líder sabe falar e escutar com igual aproveitamento.

Missão, Visão e Valores

Não se pode gerenciar o que não se pode medir… Não se pode medir o que não se pode definir… e não se pode definir o que não se entende…

Portanto entender os valores e os objetivos estratégicos da organização é o primeiro passo para efetivamente implementar um Sistema de Gestão.

Engajamento

Para que haja engajamento e colaboração faz-se necessário garantir o entendimento da missão, visão e valores da organização (da parede para a prática!).

Não há comprometimento onde não se entende os propósitos ou quando não há concordância de valores.

As pedras grandes primeiro

Para que haja fluidez das ações é preciso planejamento e foco. Pretender resolver tudo o tempo todo só gera mais preocupação… É importante concentrar-se naquilo que é importante e urgente primeiro (as pedras grandes).

Foco

Uma boa definição dos objetivos estratégicos é o que garante o foco. O foco dá significado para as ações e ajuda nas tomadas de decisão. Não há rigidez, admite flexibilidade, pois o mundo está em constante mudança.

Estratégia (Problema / Solução)

Estudar e definir uma boa estratégia é a garantia de bons resultados. Colocar o foco nas demandas do mercado é estar um passo à frente da concorrência. Não trata-se de vender o seu produto mas sim produzir o produto que resolve os problemas do seu mercado.

Entenda o seu “avatar”, pensar com foco no cliente já era… agora é pensar com o foco do cliente.

Fazer acontecer (PDCA)

Nada do dito até agora resolverá se não houver ação associada. Para obter resultado efetivo é preciso estabelecer um plano de ação e colocá-lo em prática.

Qualquer que seja o plano ele deve ser

a) RELEVANTE, deve conter um propósito que faça sentido e todos devem reconhecê-lo assim,

b) REALISTA, compatível com a realidade do negócio,

c) MENSURÁVEL, possível de ser medido ou avaliado (indicadores),

d) ESPECÍFICO, claro, objetivo e suficientemente detalhado,

e) TEMPORAL, com prazos definidos.

A relevância é citada em primeiro lugar propositalmente pois é o mais importante quesito em qualquer processo… Ninguém leva a sério algo que não concorda fazer sentido ou que não possua algum significado importante para ele e/ou para o negócio.

Um revolucionário é capaz de entregar a própria vida para defender a causa em que acredita”

Hábitos

Por fim, não poderia passar sem destacar a importância dos hábitos na gestão… Não há como gerar perenidade sem o desenvolvimento de hábitos… Uma gestão eficaz se constrói a partir de práticas saudáveis, muitas destas alicerçadas por atitudes ou comportamentos virtuosos.

São características comportamentais que definem como os indivíduos reagem diante de situações de conflito, dúvidas e pressões diversas.

A boa notícia é que existem métodos para desenvolver hábitos saudáveis, para ampliar a resiliência do indivíduo e auxiliar no desenvolvimento de um ambiente de trabalho mais adequado, produtivo e colaborativo.

Conclusão

O mundo a cada dia está mais globalizado e competitivo, com excesso de informações, muitas demandas e exigências cada vez mais complexas… Este estado de coisas leva o indivíduo à situações de extremo estresse, muitas vezes gerando alienação e indiferença.

Perceber esse contexto e atuar na raiz do problema (o indivíduo) irá tornar as questões técnicas muito mais simples de serem resolvidas.

Pense nisso!

A diferença entre padronizar e harmonizar

Em trabalpadronizarho recente realizado para um Grupo empresarial do ramo educacional pude vivenciar como os pequenos detalhes de interpretação podem impactar de forma significativa as estratégias adotadas e o sucesso das organizações.

 

 

Padronização
A padronização sempre foi vista como uma forma de racionalizar a utilização de recursos e alavancar melhor produtividade, entre outras melhorias de ordem administrativa. Porém essa máxima não necessariamente é verdadeira, e na maioria das vezes não é!

No âmbito da administração podemos dizer que um processo padronizado é um método efetivo e organizado de produzir sem perdas.

Isso talvez fosse 100% verdade no passado, quando as mudanças eram lentas e de pequena magnitude. Nos dias de hoje, e provavelmente nos dias que virão cada vez mais, é inconcebível a ideia de situações estáticas e iguais, dadas as inúmeras variáveis que compõem o universo de contextos que formam a sociedade e as organizações. Admitir que as diferenças é algo importante a considerar constitui premissa essencial.

Neste sentido, no âmbito das organizações, propor a padronização pura e simplesmente pode significar a ruptura definitiva com aquilo que podemos chamar de “inovação”.

O conceito de inovação é bastante utilizado no contexto empresarial e, neste sentido, significa criar novos caminhos ou estratégias para atingir resultados melhores. Inovar é fazer diferente e melhor.

O igual como condição de discriminação
Me lembro que quando criança meu pai vivia repetindo que todos os filhos eram iguais e se ele  não fazia algo por um também não faria pelo o outro, e, se fazia por um, teria necessariamente que fazer pelos demais também. Confesso que muitas vezes isso significou prejuízo para um ou para todos, já que, obviamente, as necessidades de cada um eram bem diferentes.

Essa questão é bem explorada na parábola do filho pródigo, talvez a mais conhecida parábola de jesus, que a princípio parece injusta, quando o pai favorece um filho supostamente não merecedor, mas que na verdade era aquele que dele mais precisava, naquele momento (Lucas 15:11-32).

O diagnóstico, prescrição x necessidade (qual é a dor?)
Admitindo portanto que as “diferenças” devem ser levadas em consideração, quer seja pelos diferentes contextos ou pelas mudanças que ocorrem o tempo todo, é de primordial importância analisar a padronização com olhos cuidadosos.

O que parece trivial para o empresário na verdade é extremamente complexo, demanda zelo e cuidado para não engessar a organização e privá-la da inovação.

Normalmente o empresário imagina que precisa padronizar para obter melhores resultados mas na verdade o que realmente se faz necessário é a harmonização. As diferenças devem coexistir harmonicamente, sem causar transtorno para a estratégia adotada.

Neste sentido, torna-se evidente que cada filial ou unidade de negócio, deve ser avaliada levando-se em consideração as suas particularidades e também como estas se integram com o conjunto, sem causar ruídos, de forma a amplificar os resultados do Grupo.

Prescrever padronização portanto não é a melhor forma de atingir os resultados que as organizações demandam, ainda que, em muitas instancias, é o que se deve ser feito, porém sem generalizações.

O Foco de qualquer trabalho que busca MELHORIA CONTÍNUA deve estar no resultado que se deseja. Prescrever tratamento sem se ater às dores do paciente é leviano e pode gerar efeitos colaterais indesejados.

Metodologias
Para abordar tais questões diferentes metodologias podem ser adotadas, “design thinking”, “business analysis”, “análise 360 graus”, “diagnóstico empresarial”, “business process management”, etc. Os conceitos se interligam e não necessariamente é preciso se ater à metodologia especifica, mesmo porque tais denominações são representações de ordem didática que os vários autores se utilizam para facilitar o entendimento dos conceitos.

Na verdade o conhecimento sempre existiu, ele é latente no universo ilimitado. As metodologias, apresentadas pelos seus respectivos autores, são apenas modelos de ordem didática, que se prestam a compartilhar o conhecimento, cabe a cada um fazer as conexões necessárias para tirar o melhor proveito em suas implementações.

Conclusão
Vivemos num mundo em constante transformação, com mudanças cada vez mais rápidas, demandas novas a cada dia, o que requer um olhar constante sobre as práticas adotadas e as adaptações que se fazem necessárias.

Neste contexto padronizar não representa a questão central, o momento requer harmonização, requer avaliar como as diferenças podem COEXISTIR e beneficiar o conjunto, propiciando um olhar mais crítico sobre como fazer mais e melhor, ou seja, como INOVAR.

Pense nisso!

Sustentabilidade e Trabalho

Programa VISÃO TRABALHISTA em debate, do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região – Sindmetal, exibido pela TVOSASCO em maio/2015 – participação do Eng. de Segurança do Trabalho, HELDER SAMPAIO, convidado para falar de SUSTENTABILIDADE e TRABALHO…

 

O que Segurança do Trabalho tem a ver com Sustentabilidade?

Sustentabilidade-Segurança-trabalho

Este foi o convite à reflexão que o prof. Leonídio Ribeiro Filho, uns dos mentores da Segurança do Trabalho no Brasil, dirigiu aos alunos de pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho da UNIP. O tema é complexo e induz os empresários a reverem os conceitos…

Sustentabilidade

Quando se fala em sustentabilidade muitos estabelecem a sua relação, quase que exclusivamente, com os recursos naturais do planeta. Muitas vezes esquecem-se de incluir a espécie humana como parte do problema.

Sustentabilidade na verdade possui inúmeros vetores, não necessariamente apenas aqueles relacionados à fauna, flora e aos recursos naturais em geral.

A definição clássica de Sustentabilidade, conforme relatório de Brundland (1987) – ONU, é a seguinte: “desenvolvimento sustentável é aquele que atende as necessidades das gerações atuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem a suas necessidades e aspirações”.

Está claro portanto que a sustentabilidade está centrada no “ser humano”, todo o resto fica sem sentido se a perenidade da vida humana não puder ser defendida.

Aspectos que extrapolam o meio ambiente

Seguindo nesta linha de raciocínio é fácil perceber que o meio ambiente, como deve ser visto, abrange o ser humano e todo o seu contexto social e econômico.

Assim, preservar a sustentabilidade implica em garantir também o equilíbrio do contexto social e econômico.

Segurança do trabalho

A segurança do trabalho visa fundamentalmente a promoção da saúde e segurança do trabalhador. Uma definição para Segurança do Trabalho pode ser a seguinte: “corresponde ao conjunto de ciências e tecnologias que tem por objetivo proteger o trabalhador, buscando minimizar e/ou evitar acidentes de trabalho e doenças ocupacionais”.

Portanto, seguindo neste viés, a segurança do trabalho, ao proteger o trabalhador, também assegura o equilíbrio social e econômico, ou seja, a sustentabilidade como um todo.

A perspectiva empresarial

Por outro lado, do ponto de vista empresarial, cuidar da segurança do trabalhador, tem implicações mais profundas já que possui relação direta com a qualidade e com a produtividade.

O velho conceito de segurança do trabalho, baseado apenas no cumprimento mínimo das exigências legais, não cumpre a missão estratégica da sustentabilidade.

A perenidade do negócio depende da sustentabilidade, uma coisa está ligada à outra – a própria sustentabilidade fica comprometida quando os negócios fracassam.

A lei universal

Como em tudo, aqui também prevalece a lei universal, o equilíbrio como sendo a premissa presente na compreensão de todos os processos da natureza – havendo desiquilíbrio forças surgirão tendendo a reequilibrar o sistema.

Assim sendo, a harmônia deve ser a grande meta, os aspectos empresariais, sociais, econômicos, ambientais, ecológicos etc, devem estar todos alinhados em um patamar de equilíbrio que faça sentido.

Estratégia e Segurança do Trabalho

O melhor caminho portanto é aquele que se alicerça no “ser humano”, o agente capaz de promover todos os outros vetores que contribuem para a sustentabilidade.

A segurança do trabalho deve ser vista como componente estratégico dos negócios. Além da sua relação com a qualidade e a produtividade, ao promover a saúde (física e mental) e segurança do trabalhador, tem-se a matéria-prima essencial para o desenvolvimento dos negócios, o “ser humano” mais engajado, mais criativo…. e feliz…

Pense nisso!

Quando um casamento não vai bem…

egoismoUma empresa é como um casamento, se não há cumplicidade e compartilhamento de valores, não se pode esperar grandes resultados… Todos gostam do PLR (participação nos lucros e resultados), mas rejeitam qualquer possibilidade de participação nos resultados quando estes não os favorece…

Um dos pré-requisitos para a sustentabilidade é o equilíbrio. É a lei universal, presente em tudo, na física, nas leis de newton, na ação e reação, causa e efeito, etc… Portanto qualquer esforço que provoque distorção irá gerar forças ou efeitos no sentido oposto, tendendo a restaurar o equilíbrio…

No campo financeiro, o equilíbrio também é fundamental, não se pode gerar despesas maiores que as receitas. Ao gerar despesas maiores que as receitas, ou se caminha para o caos absoluto, inviabilizando a retomada do equilíbrio ou geram-se esforços adicionais para restaurar o equilíbrio.

A natureza tem nos mostrado esta lei de forma implacável, as tragédias divulgadas na TV nada mais são do que a natureza buscando resgatar as agressões provocadas pelo homem.

O filme “The day after” mostra este efeito levado as últimas consequências, retrata o problema e o possível resultado da negligência quanto à busca do equilíbrio e da sustentabilidade.

Podemos notar que temos estas mesmas questões dentro de casa, as contas domésticas devem ser compatíveis com o orçamento, e não adianta estrebuchar pois não tem como gerar recursos do nada… No limitado entendimento de uma criança é compreensível que não se aceite uma negativa, quando ela quer que o pai compre um brinquedo irá estrebuchar até ser atendida ou até ser repreendida. Na vida real, adulta, o não é uma resposta válida.

Nas empresas, nas equipes de trabalho, essa é uma situação corriqueira… Dividir lucro todo mudo quer, dividir obrigações e compromissos já não é tão fácil assim. Aqui também prevalece a essência egoísta do ser humano, as prioridades pessoais em primeiro lugar, primeiro o meu depois o seu (da empresa, do sócio, etc)… o que é teu (empresa) é nosso e o que é meu é meu! Dividir e colaborar é coisa complicada demais… A questão central não é quem deve pra quem e sim quem pode e quem não pode…para benefício do conjunto… Não trata-se daquilo que as empresas podem fazer por seus colaboradores mas sim o que os colaboradores podem fazer por suas empresas.

Como disse antes o equilíbrio é o segredo de tudo. Portanto para que mudanças ocorram é preciso manter o equilíbrio, planejar as ações com cautela e permitir o fluxo natural das coisas. Qualquer providencia diferente agrava e não resolve.

Sem tranquilidade para planejar e reconstruir não se chega a lugar algum. Um vai construindo e o outro vai atrás desmanchando… O barquinho afundando, furado, um tirando água com o baldinho e os outros olhando… como se não estivessem no mesmo barco!… vamos mais rápido, tira mais água, tá muito devagar!!!!

É a gata sem leite e os gatinhos miando na orelha… Pense nisso !

Gestão Empresarial – Quando as peças não se encaixam…

teoria do caosMuitos empresários perdem o controle de seus negócios por não perceberem a falta de sintonia e engajamento de sua equipe… Liderar é diferente de chefiar… Liderar requer entrosamento com a equipe, cumplicidade e clareza de objetivos. Para desenvolver liderança é necessária muita humildade, disposição para rever conceitos e a adoção de postura isenta, só assim é possível trazer visibilidade para as diferentes perspectivas…

Introdução
Muitos empresários sequer percebem a situação caótica de seus negócios, até o problema atingir o bolso… Para eles tudo está muito bem e todos estão felizes em seus postos de trabalho.

Normalmente são empresários de sucesso, com perfil dominante, muito capazes, técnicos e pragmáticos. Tendem a comandar sem efetivamente envolver a equipe ou, se as envolve, não acompanha como deveria, o que gera distanciamento e alguma perda de credibilidade.

No médio e longo prazo gera ineficiência e crescente falta de comprometimento e cumplicidade da equipe. A situação se agrava quando surgem dificuldades financeiras advindas de crises econômicas ou qualquer outra circunstancia adversa.

Entender o que está acontecendo é o primeiro passo, virar as costas e ignorar os fatos pode ser catastrófico para o negócio…

Questões financeiras
Os primeiros indicadores que sinalizam que algo não anda bem são provenientes dos demonstrativos financeiros… Muito provavelmente se os resultados obtidos são reiteradamente desfavoráveis, desalinhados dos objetivos estratégicos, algo errado está acontecendo…

Diagnóstico empresarial
Para se ter uma boa perspectiva da situação é necessário realizar o diagnóstico empresarial. O diagnóstico empresarial é multidisciplinar e leva em conta as várias componentes do negócio, em termos financeiros, organizacionais, tecnológicos, mercadológicos e estratégicos.

Ao realizar o diagnóstico é possível detectar os “gaps” de gestão e a dimensão das situações de não conformidade, permitindo assim priorizar e planejar as ações necessárias para resolver os desafios apresentados.

Proteger a receita
Ainda que todos concordem que preservar as receitas constitui prioridade notamos uma certa falta de atenção por parte dos empresários com relação isso.

Na tentativa de desenvolver algum novo negócio ou recuperar algum projeto deficitário, muitos empresários acabam comprometendo a fatia saudável do negócio, agravando a situação geral.

Para proteger a receita é preciso avaliar com muito critério as atividades lucrativas e prioritárias para o negócio, blindando-as.

Sistemas de Gestão
Independentemente do tamanho do empreendimento é de suma importância a utilização de um sistema integrado de informação (ERP, Enterprise Resource Planning), capaz de dar suporte aos processos de negócio de forma consistente. Negligenciar o uso da tecnologia representa um grave risco à perenidade do negócio.

Existem inúmeras soluções para “Sistema de Gestão” no mercado, algumas gratuitas, outras muito sofisticadas e extremamente caras, mas com certeza sempre haverá uma compatível com a realidade de cada negócio.

Sem um sistema de gestão adequado é quase impossível atender a todas as demandas de uma gestão eficaz.

Liderança
A liderança deve estar alicerçada em valores, nada se consegue quando a liderança se confunde com a relação de subordinação. A liderança em seu maior grau admite delegação integral, não requer supervisão e goza de confiança recíproca.

O líder promove um ambiente positivo e despreocupado, acredita  em si mesmo, nos outros e no futuro. O líder interage com todos de forma respeitosa e cooperativa  para otimizar recursos humanos e materiais.

O líder se concentra nas ações importantes e evita desvios, cria um fluxo de significados entre as partes.

O líder mantém a calma e o ânimo independente das circunstâncias.

O líder sabe falar e escutar com igual aproveitamento.

Missão, Visão e Valores
Não se pode gerenciar o que não se pode medir… Não se pode medir o que não se pode definir… e não se pode definir o que não se entende…

Portanto entender os valores e os objetivos estratégicos da organização é o primeiro passo para efetivamente implementar um Sistema de Gestão.

Engajamento
Para que haja engajamento e colaboração faz-se necessário garantir o entendimento da missão, visão e valores da organização (da parede para a prática!).

Não há comprometimento onde não se entende o propósito ou quando não há concordância de valores.

As pedras grandes primeiro
Para a fluidez das ações é preciso planejamento e foco. Pretender resolver tudo o tempo todo só gera mais preocupação… É importante concentrar-se naquilo que é importante e urgente primeiro (as pedras grandes).

Foco
Uma boa definição dos objetivos estratégicos é o que garante o foco. O foco dá significado para as ações e ajuda nas tomadas de decisão. Não há rigidez, admite flexibilidade, pois o mundo está em constante mudança.

Estratégia (Problema / Solução)
Estudar e definir uma boa estratégia é a garantia de bons resultados. Colocar o foco nas demandas do mercado é estar um passo à frente da concorrência. Não trata-se de vender o seu produto mas sim produzir o produto que resolve os problemas do seu mercado.

Entenda o seu “avatar”, pensar com foco no cliente já era… agora é pensar com o foco do cliente.

Fazer acontecer (PDCA)
Nada do dito até agora resolverá se não houver ação associada. Para obter resultado efetivo é preciso estabelecer um plano de ação e colocá-lo em prática.

Qualquer que seja o plano ele deve ser:

a) RELEVANTE, deve conter um propósito que faça sentido e todos devem reconhecê-lo assim,
b) REALISTA, compatível com a realidade do negócio, realizável…
c) MENSURÁVEL, possível de ser medido ou avaliado (indicadores),
d) ESPECÍFICO, claro, objetivo e suficientemente detalhado,
e) TEMPORAL, com prazos definidos.

A relevância é citada em primeiro lugar propositalmente pois é o mais importante quesito em qualquer processo… Ninguém leva a sério algo que não concorda fazer sentido ou que não possua algum significado importante para ele e/ou para o negócio.

“Um revolucionário é capaz de entregar a própria vida para defender a causa em que acredita”

Hábitos
Por fim, não poderia passar sem destacar a importância dos hábitos na gestão… Não há como gerar perenidade sem o desenvolvimento de hábitos… Uma gestão eficaz se constrói a partir de práticas saudáveis, muitas destas alicerçadas por atitudes ou comportamentos virtuosos.

São características comportamentais que definem como os indivíduos reagem diante de situações de conflito, dúvidas e pressões diversas.

A boa notícia é que existem métodos para desenvolver hábitos saudáveis, para  ampliar a resiliência do indivíduo e auxiliar no desenvolvimento de um ambiente de trabalho mais adequado, produtivo e colaborativo.

Conclusão
O mundo a cada dia está mais globalizado e competitivo, com excesso de informações, muitas demandas e exigências cada vez mais complexas… Este estado de coisas leva o indivíduo à situações de extremo estresse, muitas vezes gerando alienação e indiferença.

Perceber esse contexto e atuar na raiz do problema (o indivíduo) irá tornar as questões técnicas muito mais simples de serem resolvidas.

   Pense nisso!

Análise de Negócios – Como se faz?

Imagem

Durante uma conversa com um executivo da área de TI de uma das maiores empresas do setor de seguros, sobre uma posição de Analista de Negócios para um projeto temporário, surgiram questões relacionadas ao papel do AN e algumas associações com “tirador de pedido” e “analista de requisitos”, o que me leva a compartilhar algumas reflexões sobre como devemos encarar a Análise de Negócios…

 

O que é Análise de Negócios (AN)

Tenho visto diferentes definições sobre o que é “Análise de Negócios”, todas mais ou menos equivalentes. Neste artigo disponibilizo para reflexão o meu próprio entendimento do assunto.

Na verdade não se trata de tema novo, a atividade sempre esteve presente nos processos ligados a resolução dos problemas empresariais, aplicados e exercitados das mais diversas formas.

O que talvez seja novo é a busca por uma padronização da forma de se praticar a Análise de Negócios, assunto tratado, por exemplo, no guia BABOK (Business Analysis Body of Knowledge®) do IIBA (International Institute of Business Analysis).

Voltando ao que interessa…, O que é Análise de Negócios?

Defino a “Análise de Negócios” como sendo o conjunto de atividades que permitem:

1) identificar os problemas e desafios do negócio,

2) contextualizar o cenário de negócios,

3) identificar as melhores soluções,

4) viabilizar, fazendo a interface entre o negócio e as soluções (tecnologias), através da interação com as partes envolvidas (stakeholders) e garantindo coerência com a visão estratégica da organização.

Portanto, como dito anteriormente, a prática da Análise de Negócios sempre existiu… A sua aplicação, pelo avanço da tecnologia e surgimento de novas ferramentas, sofreu algumas mudanças mas o conceito e a sua essência continuam os mesmos, constituindo uma forma de garantir a execução satisfatória da estratégia.

No guia BABOK® a Análise de Negócios é definida como sendo “a prática de viabilizar mudanças no contexto de uma organização pela definição das necessidades e recomendação de soluções que entreguem valor às partes interessadas”.

Sobre a definição acima (BABOK®), que sintetiza de outra maneira o que é a AN, apenas comento que, na minha percepção, a AN não necessariamente estaria vinculada à MUDANÇA já que a necessidade de mudança não precede a AN, ou seja, a necessidade de mudança (ou não) é uma das “entregas” da análise de negócios.

Fica fácil perceber que a atividade de AN pode ter um caráter preventivo e não necessariamente estaria vinculada à mudança.

Problemas e Desafios do negócio

Antes de avançar é preciso esclarecer o que é PROBLEMA e o que é DESAFIO do ponto de vista de negócio:

a) Problema é tudo aquilo que implica em perdas (de qualidade, de eficiência, de tempo, de recursos, de mercado etc).

b) Desafios são as oportunidades de melhoria, que agregam algum ganho para o negócio (de qualidade, de eficiência, de tempo, de recursos, de mercado etc), ou seja, não necessariamente um problema.

Conhecer o Negócio

Portanto, a primeira etapa para se praticar a Análise de Negócios é conhecer o negócio, seus problemas e os seus desafios.

Para tanto é preciso ter visão de conjunto, com especial atenção às inter-relações das diversas vertentes do negócio, multidisciplinar!

Várias são as técnicas e as ferramentas para se conhecer o negócio (e seus problemas e desafios): simples observação, entrevistas, análise de documentos, pesquisas, mapeamento de processos, etc. Muitas destas técnicas são apresentadas no guia BABOK®

Perfil do Analista de Negócios

Para o exercício isento da Análise de Negócios, é aconselhável que o profissional tenha um perfil “generalista”. Vale lembrar que todo generalista em algum momento de sua carreira foi especialista em alguma matéria, o que não desabona.

Por outro lado, note que o exercício da AN por um “especialista praticante” pode não ser muito interessante, já que suas ações poderão estar sob a influência da sua área de especialidade, o que pode tirar a isenção que a atividade exige.

Além disso, por dominar determinada matéria, o especialista pode, ao invés de exercer análise de negócios, se envolver em outras tarefas, o que certamente afeta a qualidade da AN.

Não irei abordar os outros aspectos do perfil do Analista de Negócios, mas obviamente vários são os pré-requisitos comportamentais essenciais para o bom desempenho da função de AN.

Note que uma das áreas de conhecimento do guia BABOK® trata justamente das “Competências Fundamentais”.

Análise de Negócio x Tecnologia da Informação

Outro grande equívoco é achar que a Análise de Negócios está associada apenas aos projetos de TI.

Perceba que as atividades de Análise de Negócios não têm necessariamente relação com projetos de TI. Qualquer empreendimento ou projeto se beneficia da prática da Análise de Negócios, pois, como dito acima, ela possibilita a identificação dos problemas e desafios do negócio, viabilizando os ajustes e as melhorias necessárias.

Por outro lado, talvez por isso também a confusão, a grande maioria dos projetos, em maior ou menor grau, sempre envolvem alguma componente de TI.

Confusões sobre o papel do AN

Outra questão recorrente, e talvez a mais preocupante, é a atribuição de atividades que conflitam com o papel do Analista de Negócios. Dentre estas, para exemplificar, a “análise de requisitos de software”.

Atividades dessa natureza estão associadas à “análise de sistemas” e, por serem mais operacionais, roubam a serenidade do Analista de Negócios, prejudicando a visão holística do negócio que este profissional deve ter.

Perceba que “análise de requisitos de negócio” é atribuição do Analista de Negócios, o que difere de “análise de requisitos de software”.

O BABOK®, por exemplo, indica que o foco do Analista de Negócios deve estar no Escopo do Produto (as características e funções que descrevem um produto, serviço ou resultado) enquanto que o Escopo do Projeto (o trabalho que precisa ser realizado para entregar um produto, serviço ou resultado com as características e funções especificadas) é foco do GP (gerente de projetos).

O produto no caso equivale ao NEGÓCIO (estratégia) e o projeto equivale a SOLUÇÃO (que realiza a estratégia).

Atomização da AN

Assim como praticado pela gerência de projetos, que divide projetos maiores em vários subprojetos, é possível realizar Análise de Negócios em diferentes níveis.

Contudo, ainda que se pratique AN na forma atomizada, é de extrema relevância manter o alinhamento com a estratégia corporativa.

Conclusão

Embora se perceba inúmeros avanços no estudo da Análise de Negócios e na sua aplicação nas organizações, é evidente a falta de informação predominante junto aos altos escalões das empresas.

Um dos maiores desafios da Análise de Negócios é, portanto, a conscientização dos empresários quanto à relevância do papel do AN e sua efetiva contribuição no desenho e realização da estratégia.

 

Juniorização da estrutura… (e seus riscos)

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Em uma descontraída conversa durante um “happy-hour” com amigos surgiu o assunto “filhos x carreira profissional”… um amigo advogado criminalista comentou que sua esposa preferia não programar filhos pois estaria concorrendo a uma vaga para JUIZ… Juiz! Exclamei surpreso… mas ela só tem 26 anos!!!… O fato remete à questão da juniorização da mão de obra e aos seus riscos, que comento, através de alguns “insights”, mais abaixo no artigo que segue…

 

Juniorização da estrutura

Esse fenômeno tem ganhado a atenção de diferentes profissionais especialistas em gestão e de alguns empresários mais antenados… Na edição de março/14 da revista VocêRH o assunto virou capa e chama a atenção para os riscos que sua adoção gera (recomendo a leitura).

 

Implementação x Técnica

Não é de hoje que “maturidade” representa uma componente com alto grau de influência nos resultados e no sucesso dos projetos. Em projetos de TI, por exemplo, é notória a relevância da “senioridade” (destaque para as competências comportamentais) nos processos de condução de uma boa implementação. Sabemos que 80% do projeto é implementação (pessoas), os outros 20% é apenas técnica (tecnologia).

 

Horas de voo x Horas em simulador

Mas o quê representa “maturidade” no contexto discutido aqui? Trata-se do processo de vivência profissional que só pode ser adquirido com anos de experimentação prática. A não ser que se traga essa bagagem de outras vidas não há possibilidade de adquirir “maturidade” sem a contrapartida do investimento em tempo.

Fazendo analogia com os pilotos de boeing é possível perceber que não basta ser um ótimo piloto de simulador, é preciso ter muitas horas de voo… Te pergunto: Você entraria em um avião sabendo que o piloto tem pouquíssimas horas de voo?

Na introdução deste artigo menciono o juiz com 26 anos, você se sentiria confortável com o julgamento e a sentença de um juiz de 26 anos? (e se você fosse o réu? rs).

E como se sentiria com relação a um cirurgião, recém formado, com pouca experiência prática?

 

Ansiedade e Ambição

Isso tudo não quer dizer necessariamente que o profissional jovem seja ruim ou incapaz, nada disso!. A questão aqui é a generalização, da sistemática exclusão do profissional sênior dos quadros de profissionais das empresas.

Pela natural ambição e ansiedade do jovem, em uma estrutura juniorizada, os valores e a sustentabilidade do negócio correm sérios riscos.

 

Perpetuação da juniorização

Uma outra prática que agrava este estado de coisas é a “blindagem” dos processos de recrutamento e seleção, que acaba excluindo o profissional sênior.

Muitas vezes o recrutador recomenda o profissional sênior mas este não consegue passar pelo crivo da equipe juniorizada. A explicação é:

1) O profissional mais jovem normalmente tem dificuldades em “comandar” um profissional mais velho,

2) O profissional mais jovem pode sentir-se ameaçado,

3) O profissional mais jovem pode ter receio em expor alguma deficiência,

4) O profissional mais jovem pode não possuir maturidade para lidar com o aprendizado, “são propensos a se julgar grandiosos e ter necessidade de admiração e aprovação” (segundo pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde americano).

 

Escassez de mão de obra e custo elevado do profissional sênior

Segundo alguns especialistas o fenômeno da juniorização se deve principalmente: 1) à escassez de mão de obra e 2) ao maior custo do profissional sênior, (com o que não corroboro)

Como mentor da BRexperts, uma rede de colaboração formada por profissionais seniores (http://www.brexperts.com.br), posso com segurança afirmar que não há “escassez de mão de obra”, pelo contrário, existe um contingente enorme de profissionais seniores em busca de “trabalho” – em muitos casos representando custos extremamente mais competitivos.

Não existe apagão de mão de obra, o que existe é a discriminação quanto à mão de obra sênior…. O profissional sênior está disponível e pronto para atuar.

 

Coaching e Mentoring

O efeito da juniorização da estrutura é melhor percebida nas áreas ligadas à gestão. A discussão portanto não abrange as áreas operacionais, onde a relevância da maturidade é menor.

O profissional sênior, inserido na estrutura, promove a harmonização do conjunto, em muitos casos atuando com técnicas de “coaching” e “mentoring” junto ao restante da equipe.

Algumas empresas contratam profissionais de “coaching” para amenizar os efeitos da juniorização (o caso das Lojas Riachuelo citada na reportagem da revista VocêRH).

 

Efeito manada

Um outro fator influenciador da juniorização da estrutura é o modelo que se consolida a partir de sua adoção generalizada. A partir de um certo ponto as empresas passam a adotar aquela política sem outros questionamentos, perpetuando e agravando o problema.

 

Inovação

A juniorização da estrutura vem na contramão da inovação… Não é possível viabilizar inovação através de uma estrutura juniorizada.

Há uma notória perda com relação à atuação e participação nos processos decisórios, na representatividade junto a órgãos públicos, privados, sindicatos, “stakeholders” em geral… ou seja, distanciamento dos fóruns importantes e estratégicos.

 

Equilíbrio

Como em tudo a resposta está no equilíbrio… É preciso mesclar a estrutura com profissionais seniores, bem preparados e dispostos a compartilhar com a equipe aquilo que somente o tempo provê. Pense nisso!