A diferença entre padronizar e harmonizar

Em trabalpadronizarho recente realizado para um Grupo empresarial do ramo educacional pude vivenciar como os pequenos detalhes de interpretação podem impactar de forma significativa as estratégias adotadas e o sucesso das organizações.

 

 

Padronização
A padronização sempre foi vista como uma forma de racionalizar a utilização de recursos e alavancar melhor produtividade, entre outras melhorias de ordem administrativa. Porém essa máxima não necessariamente é verdadeira, e na maioria das vezes não é!

No âmbito da administração podemos dizer que um processo padronizado é um método efetivo e organizado de produzir sem perdas.

Isso talvez fosse 100% verdade no passado, quando as mudanças eram lentas e de pequena magnitude. Nos dias de hoje, e provavelmente nos dias que virão cada vez mais, é inconcebível a ideia de situações estáticas e iguais, dadas as inúmeras variáveis que compõem o universo de contextos que formam a sociedade e as organizações. Admitir que as diferenças é algo importante a considerar constitui premissa essencial.

Neste sentido, no âmbito das organizações, propor a padronização pura e simplesmente pode significar a ruptura definitiva com aquilo que podemos chamar de “inovação”.

O conceito de inovação é bastante utilizado no contexto empresarial e, neste sentido, significa criar novos caminhos ou estratégias para atingir resultados melhores. Inovar é fazer diferente e melhor.

O igual como condição de discriminação
Me lembro que quando criança meu pai vivia repetindo que todos os filhos eram iguais e se ele  não fazia algo por um também não faria pelo o outro, e, se fazia por um, teria necessariamente que fazer pelos demais também. Confesso que muitas vezes isso significou prejuízo para um ou para todos, já que, obviamente, as necessidades de cada um eram bem diferentes.

Essa questão é bem explorada na parábola do filho pródigo, talvez a mais conhecida parábola de jesus, que a princípio parece injusta, quando o pai favorece um filho supostamente não merecedor, mas que na verdade era aquele que dele mais precisava, naquele momento (Lucas 15:11-32).

O diagnóstico, prescrição x necessidade (qual é a dor?)
Admitindo portanto que as “diferenças” devem ser levadas em consideração, quer seja pelos diferentes contextos ou pelas mudanças que ocorrem o tempo todo, é de primordial importância analisar a padronização com olhos cuidadosos.

O que parece trivial para o empresário na verdade é extremamente complexo, demanda zelo e cuidado para não engessar a organização e privá-la da inovação.

Normalmente o empresário imagina que precisa padronizar para obter melhores resultados mas na verdade o que realmente se faz necessário é a harmonização. As diferenças devem coexistir harmonicamente, sem causar transtorno para a estratégia adotada.

Neste sentido, torna-se evidente que cada filial ou unidade de negócio, deve ser avaliada levando-se em consideração as suas particularidades e também como estas se integram com o conjunto, sem causar ruídos, de forma a amplificar os resultados do Grupo.

Prescrever padronização portanto não é a melhor forma de atingir os resultados que as organizações demandam, ainda que, em muitas instancias, é o que se deve ser feito, porém sem generalizações.

O Foco de qualquer trabalho que busca MELHORIA CONTÍNUA deve estar no resultado que se deseja. Prescrever tratamento sem se ater às dores do paciente é leviano e pode gerar efeitos colaterais indesejados.

Metodologias
Para abordar tais questões diferentes metodologias podem ser adotadas, “design thinking”, “business analysis”, “análise 360 graus”, “diagnóstico empresarial”, “business process management”, etc. Os conceitos se interligam e não necessariamente é preciso se ater à metodologia especifica, mesmo porque tais denominações são representações de ordem didática que os vários autores se utilizam para facilitar o entendimento dos conceitos.

Na verdade o conhecimento sempre existiu, ele é latente no universo ilimitado. As metodologias, apresentadas pelos seus respectivos autores, são apenas modelos de ordem didática, que se prestam a compartilhar o conhecimento, cabe a cada um fazer as conexões necessárias para tirar o melhor proveito em suas implementações.

Conclusão
Vivemos num mundo em constante transformação, com mudanças cada vez mais rápidas, demandas novas a cada dia, o que requer um olhar constante sobre as práticas adotadas e as adaptações que se fazem necessárias.

Neste contexto padronizar não representa a questão central, o momento requer harmonização, requer avaliar como as diferenças podem COEXISTIR e beneficiar o conjunto, propiciando um olhar mais crítico sobre como fazer mais e melhor, ou seja, como INOVAR.

Pense nisso!

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CRISE – Até que ponto faz sentido negá-la!

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As crises sempre estiveram presentes, em especial na vida dos brasileiros. Todavia, os brasileiros, ocupam posição de destaque no ranking da regularidade. É difícil lembrar de alguma crise com as dimensões da atual, que se autoalimenta e que parece não ter fim… Mas até que ponto temos que ser “otimistas” e até que ponto devemos encarar a crise como uma “crise” de fato.

O IMPORTANTE E NÃO ADMITIR

Há quem diga que o importante é negar… Aquela negação que os políticos estão acostumados a proferir: Não sabia de nada! ou aquela celebre declaração de Paulo Maluf: “Não tenho nenhuma conta em paraíso fiscal. Deixa gravado aí: se eu tenho uma conta bancária na Suíça, o que for, deixo já a você a procuração para doar para a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo – desafiou Maluf, em 28 de agosto de 2001”

Mesmo diante de tantas evidências e da obviedade dos fatos a regra é NEGAR, como se fosse a única forma de se safar… “tudo que disser poderá e será utilizado contra você nos tribunais…”

Da mesma forma, é regra entre os empresários lojistas, quando perguntados sobre a performance de seus negócios, responder sempre de forma padrão: “estamos vendendo muito!” – só que na semana seguinte tem uma faixa na porta “PASSA-SE O PONTO”…

No âmbito financeiro esse expediente é até compreensível, banco nenhum irá admitir problemas em seus negócios, isso certamente faria o problema se materializar de qualquer maneira, mesmo sem crise.

Mas o que ajuda e o que atrapalha esse tipo de mascaramento da realidade. De um lado tem o viés da “energia positiva”, a lei da atração (se você pensa positivo irá atrair resultados positivos), o foco na metade cheia do copo, ou ainda, não sabendo que era impossível foi lá e fez, e assim por diante…

A METADE CHEIA DO COPO

É muito difícil enxergar a metade cheia em um copo vazio, é necessária muita criatividade. Se talvez aceitássemos que o copo está vazio ficaria mais fácil correr atrás de alguma forma de enchê-lo, então a questão assumiria novas perspectivas.

Os processos de cura, de qualquer natureza, para ser eficaz, pressupõe a aceitação da doença, negá-la somente agrava e impede as ações necessárias.

ASSUMIR O CONTROLE

Transferir o problema para outras instancias também não ajuda em nada, é preciso trazê-lo para onde se pode atuar, naquilo que nos diz respeito, onde temos um mínimo de controle.

Votar corretamente, ainda que não hajam políticos corretos, não irá endereçar todas estas questões. Da mesma forma não serão novas leis que irão melhorar o “status quo” político e econômico… Os homens bons não necessitam de leis para agir corretamente, mas os homens maus irão usar as próprias leis para o exercício do mal…

SOMOS RICOS

Numericamente é fácil perceber que tudo que nos falta, serviços públicos decentes, educação, saúde, segurança, infraestrutura, entre outras coisas, seriam facilmente implementados se o nosso dinheiro não fosse desviado das mais diversas formas para grupos políticos e comunidades perversas de empresários, que se locupletam sem o mínimo de respeito pelo direito alheio.

De todo dinheiro desviado, apurado pelas diversas operações da Polícia Federal (lava-jato é apenas uma delas, a lista é enorme) deixa claro que a “dinheirama” que rola é astronômica. O que a PF consegue apontar é apenas uma pequena parte o “iceberg” de recursos desviados.

A RAIZ DO PROBLEMA

A estrutura do mal se desenvolve em torno do modelo político estabelecido, onde os cargos públicos são preenchidos por espertalhões de plantão, com gordas mordomias, políticos legislando em causa própria, um ciclo vicioso sem fim…

Parece sem solução, de nada adianta perseguir e resolver as várias operações da PF se não se elimina o mal pela raiz. A começar pelas mordomias, os privilégios políticos, o exagero no número de partidos e cargos públicos, um desperdício enorme sem justificativa que faça sentido…

Os políticos neste país estão blindados, para eles não existe crise, a crise é do povo apenas, quem realmente paga a conta.

A CRISE

A CRISE existe e é real, não é de hoje, sua origem é estrutural e política, todo o resto é um mera conjunção de fatores que transcende os aspectos econômicos e sociais percebidos.

A solução para CRISE exigirá muita mobilização e um esforço enorme por parte de todos os brasileiros, sem exceção. É preciso eliminar o mal pela raiz… cqc