Certificado Digital – Você ainda vai ter um!

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Com o advento da Internet o mundo está cada vez mais digital e por mais que queiramos resistir aos avanços tecnológicos trata-se de uma exigência social e legal inevitável…

Introdução

Quem não se lembra dos primeiros veículos movidos a álcool… No início, há quase 40 anos, muita desconfiança, mas com o amadurecimento da tecnologia, em pouquíssimo tempo, tornou-se praticamente um padrão entre os carros fabricados no Brasil. Hoje a totalidade da frota de veículos fabricados Brasil roda com etanol, com motores flex ou com motores convencionais à gasolina, já que a nossa gasolina contém cerca de 25% de etanol na sua composição.

Da mesma forma, porém muito mais rápido por se tratar de Tecnologia da Informação, o processo de inserção do Certificado Digital no cotidiano das pessoas tornou-se uma realidade… Muitas das obrigações legais impostas às empresas e pessoas físicas, já há algum tempo, exigem a utilização de um Certificado Digital.

Pra que serve o Certificado Digital?

Advogados e também outros profissionais liberais necessitam do Certificado Digital para interagir com os sistemas do governo ou para acessar outros serviços com maior agilidade, facilidade e substancial redução de custos.

Enfim, a Certificação Digital permite que as operações de comércio eletrônico, assinatura de contratos, operações bancárias, acesso aos sistemas do governo, entre outras, sejam realizadas de forma virtual, ou seja, sem a presença física do interessado, mas com a identificação clara da pessoa que a está realizando.

Mas o que é Certificado Digital?

Certificado Digital é uma assinatura com validade jurídica que garante proteção às transações eletrônicas e outros serviços via internet, permitindo que pessoas e empresas se identifiquem e assinem digitalmente de qualquer lugar do mundo com segurança e agilidade.

A tecnologia associada aos mecanismos de segurança adotados na Certificação Digital são capazes de garantir autenticidade, confidencialidade e integridade às informações eletrônicas.

Trata-se de tecnologia de criptografia, neste caso a assimétrica ou de chave pública, um algorítimo de cifragem que utiliza 2 chaves: uma pública e outra privada.

Essas chaves são geradas simultaneamente e são relacionadas entre si, o que possibilita que a operação executada por uma seja revertida pela outra. A chave privada (sua senha do Certificado Digital) deve ser mantida em sigilo e protegida por quem gerou as chaves (Autoridade Certificadora). A chave pública é disponibilizada e tornada acessível a qualquer indivíduo que deseje se comunicar com o proprietário da chave privada correspondente.

Na assinatura digital, o documento não sofre qualquer alteração e um resumo criptográfico (“hash cifrado” com a chave privada) é anexado ao documento.

Qual a credibilidade do Certificado Digital?

A viabilização do processo tecnológico envolvido na Certificação Digital se sustenta na Infraestrutura de Chaves Públicas.

ICP-Brasil, a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil) é uma cadeia hierárquica e de confiança que viabiliza a emissão de certificados digitais para identificação virtual do cidadão. Observa-se que o modelo adotado pelo Brasil foi o de certificação com raiz única, sendo que o ITI (Instituto Nacional de Tecnologia da Informação), além de desempenhar o papel de Autoridade Certificadora Raiz (AC-Raiz), também tem o papel de credenciar e descredenciar os demais participantes da cadeia, supervisionar e fazer auditoria dos processos.

A Autoridade Certificadora Raiz da ICP-Brasil (AC-Raiz) é a primeira autoridade da cadeia de certificação. Executa as Políticas de Certificados e normas técnicas e operacionais aprovadas pelo Comitê Gestor da ICP-Brasil.

Portanto, compete à AC-Raiz emitir, expedir, distribuir, revogar e gerenciar os certificados das autoridades certificadoras de nível imediatamente subsequente ao seu.

A AC-Raiz também está encarregada de emitir a lista de certificados revogados (LCR) e de fiscalizar e auditar as Autoridades Certificadoras (AC), Autoridades de Registro (ARs) e demais prestadores de serviço habilitados na ICP-Brasil. Além disso, verifica se as AC estão atuando em conformidade com as diretrizes e normas técnicas estabelecidas pelo Comitê Gestor da ICP-Brasil.

Vinculadas às AC de primeiro nível estão as AC de segundo nível e sob estas estão os Agentes de Registro (AR), responsável pela interface entre o usuário e a Autoridade Certificadora ou quem efetivamente realiza o processo de emissão do Certificado Digital.

O processo envolve regras rígidas e o cumprimento dos procedimentos é auditado e fiscalizado, o que requer, por exemplo, exame de documentos, de instalações técnicas e dos sistemas envolvidos no serviço de certificação, bem como seu próprio pessoal.

Como obter um Certificado Digital?

O Certificado Digital é obtido através de um Agente de Registro (AR), presencialmente, em um ponto de atendimento, normalmente mediante agendamento prévio.

O agendamento é a solicitação do Certificado, a qual pode ser realizada diretamente pelo interessado (via internet) ou através de um Agente de Registro (por telefone ou e-mail).

De uma ou outra forma serão solicitadas informações de identificação do interessado e o envio de documentos de identificação digitalizados, para a geração do pedido.

Na solicitação deve constar o tipo de certificado: a) PJ, PF ou Equipamento; b) Validade (em geral de 1 a 3 anos); c) Mídia (cartão, token, software). Comercialmente estas opções são apresentadas de diferentes formas, por exemplo: “A3-PF-token” ou “e-PF|Prime A3 – Token”.

Ao confirmar o pedido é gerado o boleto para o pagamento e o TERMO de compromisso. Com o boleto pago, o termo assinado e o conjunto de documentos originais válidos solicitados, o candidato deve comparecer ao ponto de atendimento no dia e horário agendado, para a validação presencial e emissão do certificado digital.

A agilidade do processo presencial depende da empresa escolhida, em geral leva em média 20 minutos.

Para atender executivos ocupados, com limitação de tempo para deslocamento até o ponto de atendimento, existe a possibilidade do atendimento em domicílio ou DELIVERY (com a cobrança de uma taxa adicional), inclusive para atendimento no exterior.

O que pode ser acessado com o Certificado Digital?

Alguns exemplos:

a) Governo Federal: Receita Federal do Brasil – RFB; PROUNI – Programa Universidade para Todos; SIPREV – Sistema Integrado de Informações Previdenciárias; CEF – Caixa Econômica Federal; Programa Juros Zero; TISS – Troca de Informações de Saúde Suplementar; INPI – Instituto Nacional da Propriedade Industrial; ComprasNet; Sistema de Diárias e Passagens; SIDOF – Serviço de Documentos Oficiais; INSS; Sistema Financeiro; SPB – Sistema de Pagamentos Brasileiro; Sisbacen – Sistema do Banco Central do Brasil; SISCOMEX – Sistema Integrado de Comércio Exterior; SISCOSERV – Sistema Integrado de Comércio Exterior de Serviços; CAGED – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados; Sistema de Contratos de Câmbio; Comércio eletrônico – B2B – B2C / e-BIT

b) Governos Estaduais e Municipais: Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), Livros Fiscais Eletrônicos (SPED Fiscal), EFD (Escrituração Fiscal Digital), e livros fiscais de entradas, de saídas, apuração do ICMS, IPI e Inventário.Nfe, SPED fiscal, etc

c) Sistema Judiciário: e-DOC; PJ-e; Homolognet – Homologações das Rescisões Trabalhistas; TRT da 4ª Região; Tribunais de Justiça – SP, PR, RJ e RS; Superior Tribunal de Justiça – STJ; Diário da Justiça On-line

d) Cartório Eletrônico (http://www.cartorio24horas.com.br): CRSEC – Central Registral de Serviços Compartilhados; Ofício Eletrônico; ARISP – Associação dos Registradores de São Paulo em parceria com o IRIB

e) Sistema de Saúde: TICS – Tecnologia de Informação e Comunicação de Saúde – CFM; Associação Paulista de Medicina (APM)

f) Outras Iniciativas: Carteiras de Identidade Profissional; Correio Eletrônico (e-mail); Assinatura de Documentos de Forma Eletrônica; Micro e Pequenas Empresas; Simples Nacional / SIMEI; RAIS – Relação Anual de Informações Sociais; MTE CNES – Cadastro Nacional de Entidades Sindicais; Carteirinha de estudante com Certificado Digital.

Conclusão

O mundo digital já chegou e a lacunas estão sendo preenchidas rapidamente, aderir ou não às mudanças que estão chegando já não constitue mais uma opção… Certificado Digital, você ainda vai ter um!

Helder Sampaio
(Agente de Registro AR|Prime)

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A ética no exercício da Eng. de Segurança do Trabalho (Perícias)

ETICADe tanto se falar de ética muitos parecem ter perdido a capacidade de percebê-la, … Talvez por não se aterem ao que realmente acontece ao redor… Corromper e ser corrompido parece ter se tornado algo corriqueiro, para muitos nem indignação causa.

No âmbito da perícia trabalhista não raro nos deparamos com condutas pouco compromissadas com a retidão dos procedimentos, profissionais que preferem articular estratégias desconectadas dos fatos, sem base técnica para sustentação.

Nesse artigo busco refletir sobre como exercer a Engenharia de Segurança do Trabalho, de forma consciente, em prol daquele que o contrata, se pautando pelos fatos e aspectos técnicos, organizados e juntados inteligentemente, sem precisar recorrer a outros subterfúgios.

Introdução

Fico feliz por fazer parte do grupo que ainda fica “indignado” quando se vê diante de uma situação anti-ética e pouco profissional.

No âmbito das perícias trabalhistas esse descompasso parece se ampliar em virtude dos interesses das partes, muitas vezes conflitantes.

O profissional perito quer receber os seus honorários que, em muitos casos, depende de quem irá ganhar a causa. Se o reclamante (trabalhador) perde a ação é muito provável que o perito terá muito trabalho para receber, pois via de regra o pagamento recaí sobre a União (autor beneficiário da justiça gratuita).

Como perito Assistente Técnico da parte a situação não é muito diferente pois a contratante muitas vezes exige sucesso na ação e faz todo tipo de pressão para que o parecer seja 100% favorável à defesa, à revelia dos fatos.

Esse estado de coisas leva alguns profissionais de Engenharia de Segurança do Trabalho a exercerem suas atividades de forma não isenta. Muitas vezes se sujeitando aos crimes previstos nos art. 342 do CPC (Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral).

A questão portanto é como conciliar interesses tão díspares mantendo a retidão na conduta profissional, em alinhamento com a justiça.

O Assistente Técnico (AT) da parte

No contexto dos processo trabalhistas, tanto reclamante como reclamado podem indicar um Assistente Técnico (parágrafo único do art. 3º, da Lei 5.584/70).

O Assistente Técnico é o profissional de confiança da parte, para acompanhar a perícia, para elaborar um parecer técnico ou para assessorar a parte ou o seu advogado.

Ao Assistente Técnico cabe 1) acompanhar meticulosamente as ações e procedimentos do perito, questionando-o quando for o caso e, ao final, elaborar um parecer técnico paralelo a ser anexado aos autos, 2) Auxiliar a parte e seu advogado a elaborar os quesitos a serem respondidos pelo Perito nomeado, bem como apresentar à parte e/ou a seu advogado elementos que possam ser utilizados em seu favor no decorrer da ação, aumentando as chances de êxito, 3) Após tomar conhecimento dos autos do processo, expor de forma clara e objetiva seu entendimento sobre as questões suscitadas, esclarecendo os pontos controvertidos e apontando eventuais decisões judiciais a respeito do tema, ou seja, apresentar subsídios para que a parte e/ou seu advogado definam a estratégia da defesa.

A relevância do serviço prestado pelo Assistente Técnico não reside na simples apresentação de um Parecer Técnico favorável àquele que o contratou. Na verdade, o envolvimento do Assistente Técnico, irá promover ações coordenadas entre a área administrativa, profissionais de saúde e segurança do trabalho, advogados, para garantir uma defesa mais sólida e muito melhor fundamentada, alinhadas com os objetivos estratégicos da contratante.

O acompanhamento da perícia, de forma diligente e precisa (anotando, fotografando, colhendo dados etc) garante um parecer técnico bem fundamentado, com novos elementos e contraditórios para uma melhor avaliação da causa.

O sucesso da defesa processual também requer a juntada correta da documentação, evidencias da efetiva prática dos treinamentos, a prova testemunhal, o paradigma, enfim, todos elementos que dão consistência à defesa.

Além disso, a correta elaboração dos quesitos direciona de maneira inteligente uma questão a ser investigada. A resposta a um quesito, dada pelo perito, poderá ser utilizada pelas partes para fundamentar a defesa, para contestação do laudo e/ou servir de argumentação para uma eventual solicitação de impugnação do mesmo.

Portanto a elaboração dos quesitos requer estudo do processo por parte do perito assistente e dos advogados, conhecimento técnico sobre o assunto inserido no contexto das partes, evitando assim que um quesito mal elaborado possa ser utilizado contra aquele que o elaborou.

Dessa forma a atuação do Assistente Técnico é muito mais ampla, justificando-se em toda pendência judicial trabalhista, principalmente envolvendo periculosidade, insalubridade e acidentes do trabalho, incluindo aqui as doenças ocupacionais.

O Advogado que contrata o AT

Embora o Assistente Técnico devesse prestar os serviços acima citados, a grande maioria dos escritórios de advogacia buscam apenas a obtenção de documento oficial para corroborar afirmações preconcebidas em suas petições iniciais.

Muitos desses escritórios produzem centenas de processos (control C, control V), os quesitos já estão todos prontos e tudo que se espera do Assistente Técnico é a sua assinatura em parecer favorável.

O perito Assistente Técnico não pode de forma alguma garantir parecer favorável e também não tem obrigação de gerar provas contra o seu contratante, podendo se abster de declarar aquilo que considera irrelevante para a defesa dos interesses do seu contrante. Tudo isso é legítimo.

Diante de uma situação adversa o Assistente Técnico irá enfatizar os aspectos favoráveis e relevantes para a defesa, mesmo que não atenda 100% das expectativas do contratante.

Contudo é bom ressaltar que um trabalho eficaz de Assistência Técnica elimina boa parte das surpresas encontradas durante as perícias, de antemão já se sabem quais serão as dificuldades a enfrentar.

Infelizmente, na prática, poucos operam de forma diligente, especialmente no segmento trabalhista. O nível de envolvimento do AT é limitado, muitas vezes o perito Assistente Técnico só toma ciência do processo às vésperas da perícia e pouco ou nada discute antecipadamente com o advogado ou com a parte.

A estratégia – padrão PT

É estarrecedora a enorme quantidade de escritórios de advocacia que operam equivocadamente com relação ao papel do Assistente Técnico, se contentando com a simples juntada de parecer técnico favorável, sem nenhuma consistência técnica ou fato que dê sustentação.

Esse é o padrão PT, evidenciado nos inúmeros casos que ocupam a mídia todos os dias (operações da Receita Federal), cujos protagonistas estão associados às mais criativas articulações, descompromissadas com a justiça e com o bem da sociedade em geral.

Aceitar a pressão e render-se à interesses conflitantes é o mesmo que admitir que tudo que está acontecendo com o nosso Brasil é fruto de nossas próprias escolhas e que não somos diferentes daqueles que criticamos, que lá estão!

Conclusão

Aqueles que perceberem os benefícios do trabalho ético, consistente e justo, serão os grandes agentes de mudança, responsáveis pela sustentabilidade de nosso BRASIL, um pingo de esperança para as gerações futuras…

ps.: Dada à relevância do tema, no XVI COBRASEMT (CONGRESSO BRASILEIRO DE SEGURANÇA E MEDICINA DO TRABALHO), de 26 a 27/abr/16 no Anhembi, está programada a Mesa de Debates Estratégicos: “Pericia com Qualidade: Sustentabilidade na Relação Capital Trabalho“, Coordenador : Engº Leonidio Ribeiro, Debatedores: Juiz Aposentado Edwar A. Gonçalves, Adv Trabalhista Alexandre G. Kamegasawa, Perito Eng Judicial Miguel Caporrino, Perito Médico Judicial: Aizenaque Grimaldi de Carvalho, Assistente Técnico: Flavio Carpi.

Bibliografia: O Assistente Técnico do Trabalho (Eng. M.Sc. Marcos Santos da Silva)

CRISE – Até que ponto faz sentido negá-la!

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As crises sempre estiveram presentes, em especial na vida dos brasileiros. Todavia, os brasileiros, ocupam posição de destaque no ranking da regularidade. É difícil lembrar de alguma crise com as dimensões da atual, que se autoalimenta e que parece não ter fim… Mas até que ponto temos que ser “otimistas” e até que ponto devemos encarar a crise como uma “crise” de fato.

O IMPORTANTE E NÃO ADMITIR

Há quem diga que o importante é negar… Aquela negação que os políticos estão acostumados a proferir: Não sabia de nada! ou aquela celebre declaração de Paulo Maluf: “Não tenho nenhuma conta em paraíso fiscal. Deixa gravado aí: se eu tenho uma conta bancária na Suíça, o que for, deixo já a você a procuração para doar para a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo – desafiou Maluf, em 28 de agosto de 2001”

Mesmo diante de tantas evidências e da obviedade dos fatos a regra é NEGAR, como se fosse a única forma de se safar… “tudo que disser poderá e será utilizado contra você nos tribunais…”

Da mesma forma, é regra entre os empresários lojistas, quando perguntados sobre a performance de seus negócios, responder sempre de forma padrão: “estamos vendendo muito!” – só que na semana seguinte tem uma faixa na porta “PASSA-SE O PONTO”…

No âmbito financeiro esse expediente é até compreensível, banco nenhum irá admitir problemas em seus negócios, isso certamente faria o problema se materializar de qualquer maneira, mesmo sem crise.

Mas o que ajuda e o que atrapalha esse tipo de mascaramento da realidade. De um lado tem o viés da “energia positiva”, a lei da atração (se você pensa positivo irá atrair resultados positivos), o foco na metade cheia do copo, ou ainda, não sabendo que era impossível foi lá e fez, e assim por diante…

A METADE CHEIA DO COPO

É muito difícil enxergar a metade cheia em um copo vazio, é necessária muita criatividade. Se talvez aceitássemos que o copo está vazio ficaria mais fácil correr atrás de alguma forma de enchê-lo, então a questão assumiria novas perspectivas.

Os processos de cura, de qualquer natureza, para ser eficaz, pressupõe a aceitação da doença, negá-la somente agrava e impede as ações necessárias.

ASSUMIR O CONTROLE

Transferir o problema para outras instancias também não ajuda em nada, é preciso trazê-lo para onde se pode atuar, naquilo que nos diz respeito, onde temos um mínimo de controle.

Votar corretamente, ainda que não hajam políticos corretos, não irá endereçar todas estas questões. Da mesma forma não serão novas leis que irão melhorar o “status quo” político e econômico… Os homens bons não necessitam de leis para agir corretamente, mas os homens maus irão usar as próprias leis para o exercício do mal…

SOMOS RICOS

Numericamente é fácil perceber que tudo que nos falta, serviços públicos decentes, educação, saúde, segurança, infraestrutura, entre outras coisas, seriam facilmente implementados se o nosso dinheiro não fosse desviado das mais diversas formas para grupos políticos e comunidades perversas de empresários, que se locupletam sem o mínimo de respeito pelo direito alheio.

De todo dinheiro desviado, apurado pelas diversas operações da Polícia Federal (lava-jato é apenas uma delas, a lista é enorme) deixa claro que a “dinheirama” que rola é astronômica. O que a PF consegue apontar é apenas uma pequena parte o “iceberg” de recursos desviados.

A RAIZ DO PROBLEMA

A estrutura do mal se desenvolve em torno do modelo político estabelecido, onde os cargos públicos são preenchidos por espertalhões de plantão, com gordas mordomias, políticos legislando em causa própria, um ciclo vicioso sem fim…

Parece sem solução, de nada adianta perseguir e resolver as várias operações da PF se não se elimina o mal pela raiz. A começar pelas mordomias, os privilégios políticos, o exagero no número de partidos e cargos públicos, um desperdício enorme sem justificativa que faça sentido…

Os políticos neste país estão blindados, para eles não existe crise, a crise é do povo apenas, quem realmente paga a conta.

A CRISE

A CRISE existe e é real, não é de hoje, sua origem é estrutural e política, todo o resto é um mera conjunção de fatores que transcende os aspectos econômicos e sociais percebidos.

A solução para CRISE exigirá muita mobilização e um esforço enorme por parte de todos os brasileiros, sem exceção. É preciso eliminar o mal pela raiz… cqc

O poder da recomendação e o verdadeiro “networking”

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Na vida profissional não há nada mais relevante do que os relacionamentos e a consequente capacidade de gerar negócios, baseados na confiança e na credibilidade, uma via de duas mãos… No contexto das relações humanas, é sabido que é “dando que se recebe”… a atitude “servidora” amplifica os resultados, doe com amor e receberás tudo em dobro…

Quando se tem boa vontade tudo fica mais fácil

Não é raro observarmos as pessoas torcerem o nariz quando pedimos alguma indicação… parece até que estamos levando um contrato de fiança ou mesmo pedindo muito dinheiro emprestado… uma sensação, de certa forma, muito desagradável…

Na verdade não se trata de uma mera indicação, o que se espera no fundo é uma recomendação… E recomendação é coisa muito séria, uma chancela que garante a procedência e a honestidade da oferta.

Só se deve solicitar recomendação daqueles que verdadeiramente confiam em você e que, sem subterfúgios, corroboram as mensagens que deseja transmitir.

A legitimidade da relação

A relação legítima é aquela que percebe o valor da sua proposta, isenta, concreta, capaz de atender reais necessidades, ou seja, resolve algum problema específico e gera benefícios tangíveis dentro daquilo que se propõe.

Não é exatamente um favor, muitas vezes o favor maior quem leva é você, pois provavelmente entrega algo útil e necessário para alguém que precisa… uma oportunidade que, muitas vezes, de outra forma, não seria percebida.

Percepção de valor

As pessoas tem necessidades que nem sabem… Muitos acham que estão protegidos, mas não estão… São crenças limitantes que impedem a percepção das vulnerabilidades a que estão expostos, sem ajuda é muito mais difícil perceber…

É um tema que tem viés comportamental… esconder a fatura embaixo da bandeja não irá eliminar a conta… uma hora ela será cobrada!

A missão é ajudar as pessoas

A missão é ajudar as pessoas e isso pode ser feito de diversas maneiras, com produtos, soluções ou qualquer iniciativa que contemple algum problema ou situação adversa que demande melhorias.

Pode ser preventivo, visando mitigar algum risco, ou pontual, para reverter alguma situação negativa. Pode envolver soluções de prateleira ou ‘taylor made’, especificamente desenhada para determinado caso, conforme contexto específico.

Sempre há algo para agregar

Raramente encontramos um potencial cliente que não se enquadra em nenhum modelo de melhoria, mesmos aqueles que negam haver qualquer inadequação ou vulnerabilidade, o fazem segundo critérios muito pessoais, sem real sintonia com a racionalidade que muitas vezes o tipo de decisão exige.

Diante do possível cliente, recomendado por alguém, isso é indiferente, a proposta se resume a entender o contexto do cliente e eventualmente apresentar possíveis propostas de melhorias, só isso!… O pastor tem a obrigação de levar o animal até a beira do rio, beber da água cabe apenas ao animal…

Apenas recomende aquilo que acredita (ou quem você confia)

Se realmente crê na legitimidade da solução ou confia naquele que a apresenta, então não haverá razão para esquivar-se de recomendar, isso com certeza manterá o seu “networking” elegantemente ativo… o resto não deve ser preocupação sua…

Pense nisso!

Sustentabilidade e Trabalho

Programa VISÃO TRABALHISTA em debate, do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região – Sindmetal, exibido pela TVOSASCO em maio/2015 – participação do Eng. de Segurança do Trabalho, HELDER SAMPAIO, convidado para falar de SUSTENTABILIDADE e TRABALHO…

 

O que Segurança do Trabalho tem a ver com Sustentabilidade?

Sustentabilidade-Segurança-trabalho

Este foi o convite à reflexão que o prof. Leonídio Ribeiro Filho, uns dos mentores da Segurança do Trabalho no Brasil, dirigiu aos alunos de pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho da UNIP. O tema é complexo e induz os empresários a reverem os conceitos…

Sustentabilidade

Quando se fala em sustentabilidade muitos estabelecem a sua relação, quase que exclusivamente, com os recursos naturais do planeta. Muitas vezes esquecem-se de incluir a espécie humana como parte do problema.

Sustentabilidade na verdade possui inúmeros vetores, não necessariamente apenas aqueles relacionados à fauna, flora e aos recursos naturais em geral.

A definição clássica de Sustentabilidade, conforme relatório de Brundland (1987) – ONU, é a seguinte: “desenvolvimento sustentável é aquele que atende as necessidades das gerações atuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem a suas necessidades e aspirações”.

Está claro portanto que a sustentabilidade está centrada no “ser humano”, todo o resto fica sem sentido se a perenidade da vida humana não puder ser defendida.

Aspectos que extrapolam o meio ambiente

Seguindo nesta linha de raciocínio é fácil perceber que o meio ambiente, como deve ser visto, abrange o ser humano e todo o seu contexto social e econômico.

Assim, preservar a sustentabilidade implica em garantir também o equilíbrio do contexto social e econômico.

Segurança do trabalho

A segurança do trabalho visa fundamentalmente a promoção da saúde e segurança do trabalhador. Uma definição para Segurança do Trabalho pode ser a seguinte: “corresponde ao conjunto de ciências e tecnologias que tem por objetivo proteger o trabalhador, buscando minimizar e/ou evitar acidentes de trabalho e doenças ocupacionais”.

Portanto, seguindo neste viés, a segurança do trabalho, ao proteger o trabalhador, também assegura o equilíbrio social e econômico, ou seja, a sustentabilidade como um todo.

A perspectiva empresarial

Por outro lado, do ponto de vista empresarial, cuidar da segurança do trabalhador, tem implicações mais profundas já que possui relação direta com a qualidade e com a produtividade.

O velho conceito de segurança do trabalho, baseado apenas no cumprimento mínimo das exigências legais, não cumpre a missão estratégica da sustentabilidade.

A perenidade do negócio depende da sustentabilidade, uma coisa está ligada à outra – a própria sustentabilidade fica comprometida quando os negócios fracassam.

A lei universal

Como em tudo, aqui também prevalece a lei universal, o equilíbrio como sendo a premissa presente na compreensão de todos os processos da natureza – havendo desiquilíbrio forças surgirão tendendo a reequilibrar o sistema.

Assim sendo, a harmônia deve ser a grande meta, os aspectos empresariais, sociais, econômicos, ambientais, ecológicos etc, devem estar todos alinhados em um patamar de equilíbrio que faça sentido.

Estratégia e Segurança do Trabalho

O melhor caminho portanto é aquele que se alicerça no “ser humano”, o agente capaz de promover todos os outros vetores que contribuem para a sustentabilidade.

A segurança do trabalho deve ser vista como componente estratégico dos negócios. Além da sua relação com a qualidade e a produtividade, ao promover a saúde (física e mental) e segurança do trabalhador, tem-se a matéria-prima essencial para o desenvolvimento dos negócios, o “ser humano” mais engajado, mais criativo…. e feliz…

Pense nisso!

Quando um casamento não vai bem…

egoismoUma empresa é como um casamento, se não há cumplicidade e compartilhamento de valores, não se pode esperar grandes resultados… Todos gostam do PLR (participação nos lucros e resultados), mas rejeitam qualquer possibilidade de participação nos resultados quando estes não os favorece…

Um dos pré-requisitos para a sustentabilidade é o equilíbrio. É a lei universal, presente em tudo, na física, nas leis de newton, na ação e reação, causa e efeito, etc… Portanto qualquer esforço que provoque distorção irá gerar forças ou efeitos no sentido oposto, tendendo a restaurar o equilíbrio…

No campo financeiro, o equilíbrio também é fundamental, não se pode gerar despesas maiores que as receitas. Ao gerar despesas maiores que as receitas, ou se caminha para o caos absoluto, inviabilizando a retomada do equilíbrio ou geram-se esforços adicionais para restaurar o equilíbrio.

A natureza tem nos mostrado esta lei de forma implacável, as tragédias divulgadas na TV nada mais são do que a natureza buscando resgatar as agressões provocadas pelo homem.

O filme “The day after” mostra este efeito levado as últimas consequências, retrata o problema e o possível resultado da negligência quanto à busca do equilíbrio e da sustentabilidade.

Podemos notar que temos estas mesmas questões dentro de casa, as contas domésticas devem ser compatíveis com o orçamento, e não adianta estrebuchar pois não tem como gerar recursos do nada… No limitado entendimento de uma criança é compreensível que não se aceite uma negativa, quando ela quer que o pai compre um brinquedo irá estrebuchar até ser atendida ou até ser repreendida. Na vida real, adulta, o não é uma resposta válida.

Nas empresas, nas equipes de trabalho, essa é uma situação corriqueira… Dividir lucro todo mudo quer, dividir obrigações e compromissos já não é tão fácil assim. Aqui também prevalece a essência egoísta do ser humano, as prioridades pessoais em primeiro lugar, primeiro o meu depois o seu (da empresa, do sócio, etc)… o que é teu (empresa) é nosso e o que é meu é meu! Dividir e colaborar é coisa complicada demais… A questão central não é quem deve pra quem e sim quem pode e quem não pode…para benefício do conjunto… Não trata-se daquilo que as empresas podem fazer por seus colaboradores mas sim o que os colaboradores podem fazer por suas empresas.

Como disse antes o equilíbrio é o segredo de tudo. Portanto para que mudanças ocorram é preciso manter o equilíbrio, planejar as ações com cautela e permitir o fluxo natural das coisas. Qualquer providencia diferente agrava e não resolve.

Sem tranquilidade para planejar e reconstruir não se chega a lugar algum. Um vai construindo e o outro vai atrás desmanchando… O barquinho afundando, furado, um tirando água com o baldinho e os outros olhando… como se não estivessem no mesmo barco!… vamos mais rápido, tira mais água, tá muito devagar!!!!

É a gata sem leite e os gatinhos miando na orelha… Pense nisso !

Gestão Empresarial – Quando as peças não se encaixam…

teoria do caosMuitos empresários perdem o controle de seus negócios por não perceberem a falta de sintonia e engajamento de sua equipe… Liderar é diferente de chefiar… Liderar requer entrosamento com a equipe, cumplicidade e clareza de objetivos. Para desenvolver liderança é necessária muita humildade, disposição para rever conceitos e a adoção de postura isenta, só assim é possível trazer visibilidade para as diferentes perspectivas…

Introdução
Muitos empresários sequer percebem a situação caótica de seus negócios, até o problema atingir o bolso… Para eles tudo está muito bem e todos estão felizes em seus postos de trabalho.

Normalmente são empresários de sucesso, com perfil dominante, muito capazes, técnicos e pragmáticos. Tendem a comandar sem efetivamente envolver a equipe ou, se as envolve, não acompanha como deveria, o que gera distanciamento e alguma perda de credibilidade.

No médio e longo prazo gera ineficiência e crescente falta de comprometimento e cumplicidade da equipe. A situação se agrava quando surgem dificuldades financeiras advindas de crises econômicas ou qualquer outra circunstancia adversa.

Entender o que está acontecendo é o primeiro passo, virar as costas e ignorar os fatos pode ser catastrófico para o negócio…

Questões financeiras
Os primeiros indicadores que sinalizam que algo não anda bem são provenientes dos demonstrativos financeiros… Muito provavelmente se os resultados obtidos são reiteradamente desfavoráveis, desalinhados dos objetivos estratégicos, algo errado está acontecendo…

Diagnóstico empresarial
Para se ter uma boa perspectiva da situação é necessário realizar o diagnóstico empresarial. O diagnóstico empresarial é multidisciplinar e leva em conta as várias componentes do negócio, em termos financeiros, organizacionais, tecnológicos, mercadológicos e estratégicos.

Ao realizar o diagnóstico é possível detectar os “gaps” de gestão e a dimensão das situações de não conformidade, permitindo assim priorizar e planejar as ações necessárias para resolver os desafios apresentados.

Proteger a receita
Ainda que todos concordem que preservar as receitas constitui prioridade notamos uma certa falta de atenção por parte dos empresários com relação isso.

Na tentativa de desenvolver algum novo negócio ou recuperar algum projeto deficitário, muitos empresários acabam comprometendo a fatia saudável do negócio, agravando a situação geral.

Para proteger a receita é preciso avaliar com muito critério as atividades lucrativas e prioritárias para o negócio, blindando-as.

Sistemas de Gestão
Independentemente do tamanho do empreendimento é de suma importância a utilização de um sistema integrado de informação (ERP, Enterprise Resource Planning), capaz de dar suporte aos processos de negócio de forma consistente. Negligenciar o uso da tecnologia representa um grave risco à perenidade do negócio.

Existem inúmeras soluções para “Sistema de Gestão” no mercado, algumas gratuitas, outras muito sofisticadas e extremamente caras, mas com certeza sempre haverá uma compatível com a realidade de cada negócio.

Sem um sistema de gestão adequado é quase impossível atender a todas as demandas de uma gestão eficaz.

Liderança
A liderança deve estar alicerçada em valores, nada se consegue quando a liderança se confunde com a relação de subordinação. A liderança em seu maior grau admite delegação integral, não requer supervisão e goza de confiança recíproca.

O líder promove um ambiente positivo e despreocupado, acredita  em si mesmo, nos outros e no futuro. O líder interage com todos de forma respeitosa e cooperativa  para otimizar recursos humanos e materiais.

O líder se concentra nas ações importantes e evita desvios, cria um fluxo de significados entre as partes.

O líder mantém a calma e o ânimo independente das circunstâncias.

O líder sabe falar e escutar com igual aproveitamento.

Missão, Visão e Valores
Não se pode gerenciar o que não se pode medir… Não se pode medir o que não se pode definir… e não se pode definir o que não se entende…

Portanto entender os valores e os objetivos estratégicos da organização é o primeiro passo para efetivamente implementar um Sistema de Gestão.

Engajamento
Para que haja engajamento e colaboração faz-se necessário garantir o entendimento da missão, visão e valores da organização (da parede para a prática!).

Não há comprometimento onde não se entende o propósito ou quando não há concordância de valores.

As pedras grandes primeiro
Para a fluidez das ações é preciso planejamento e foco. Pretender resolver tudo o tempo todo só gera mais preocupação… É importante concentrar-se naquilo que é importante e urgente primeiro (as pedras grandes).

Foco
Uma boa definição dos objetivos estratégicos é o que garante o foco. O foco dá significado para as ações e ajuda nas tomadas de decisão. Não há rigidez, admite flexibilidade, pois o mundo está em constante mudança.

Estratégia (Problema / Solução)
Estudar e definir uma boa estratégia é a garantia de bons resultados. Colocar o foco nas demandas do mercado é estar um passo à frente da concorrência. Não trata-se de vender o seu produto mas sim produzir o produto que resolve os problemas do seu mercado.

Entenda o seu “avatar”, pensar com foco no cliente já era… agora é pensar com o foco do cliente.

Fazer acontecer (PDCA)
Nada do dito até agora resolverá se não houver ação associada. Para obter resultado efetivo é preciso estabelecer um plano de ação e colocá-lo em prática.

Qualquer que seja o plano ele deve ser:

a) RELEVANTE, deve conter um propósito que faça sentido e todos devem reconhecê-lo assim,
b) REALISTA, compatível com a realidade do negócio, realizável…
c) MENSURÁVEL, possível de ser medido ou avaliado (indicadores),
d) ESPECÍFICO, claro, objetivo e suficientemente detalhado,
e) TEMPORAL, com prazos definidos.

A relevância é citada em primeiro lugar propositalmente pois é o mais importante quesito em qualquer processo… Ninguém leva a sério algo que não concorda fazer sentido ou que não possua algum significado importante para ele e/ou para o negócio.

“Um revolucionário é capaz de entregar a própria vida para defender a causa em que acredita”

Hábitos
Por fim, não poderia passar sem destacar a importância dos hábitos na gestão… Não há como gerar perenidade sem o desenvolvimento de hábitos… Uma gestão eficaz se constrói a partir de práticas saudáveis, muitas destas alicerçadas por atitudes ou comportamentos virtuosos.

São características comportamentais que definem como os indivíduos reagem diante de situações de conflito, dúvidas e pressões diversas.

A boa notícia é que existem métodos para desenvolver hábitos saudáveis, para  ampliar a resiliência do indivíduo e auxiliar no desenvolvimento de um ambiente de trabalho mais adequado, produtivo e colaborativo.

Conclusão
O mundo a cada dia está mais globalizado e competitivo, com excesso de informações, muitas demandas e exigências cada vez mais complexas… Este estado de coisas leva o indivíduo à situações de extremo estresse, muitas vezes gerando alienação e indiferença.

Perceber esse contexto e atuar na raiz do problema (o indivíduo) irá tornar as questões técnicas muito mais simples de serem resolvidas.

   Pense nisso!

A NOSSA PERCEPÇÃO DOS RISCOS

RISK AHEADRecentemente realizei um trabalho que envolveu entrevistas com profissionais liberais, empresários e empreendedores, para avaliar um novo produto e assim determinar sua aderência com relação às necessidades. Embora o tamanho de nossa amostra não nos permita, com rigor, dizer que a mesma representa o grupo, em vários casos, foi possível observar a falta de percepção com relação aos riscos… Em parte por questões culturais mas também devido a programações subliminares sedimentadas no inconsciente do indivíduo. Neste artigo busco trazer visibilidade para essa questão como uma forma de prevenção contra os efeitos nocivos resultantes.

O que é risco?

Antes de avançar, para melhor entendimento, é necessário conceituar o que é “risco”… Risco pode ser entendido como uma possibilidade de ocorrência de algum evento não planejado, incerto, normalmente prejudicial ou danoso à saúde, ao patrimônio, à família ou à sociedade.

O que é necessidade?

Da mesma forma, é preciso definir necessidade… No contexto da abordagem deste artigo, é tudo aquilo que o indivíduo reconhece como útil para o seu desenvolvimento, crescimento, conforto ou sobrevivência. Dessa forma risco pode ser entendido como ameaças com relação à realização das necessidades do indivíduo.

Uma questão de ordem financeira

Do ponto de vista empresarial podemos dizer sem medo de errar que um dos quesitos mais relevantes, presentes em qualquer trabalho de consultoria, são as questões de ordem financeira.

A maior parte dos indicadores que alicerçam as ações de melhoria são financeiros. Podemos facilmente notar que, diante de qualquer problema, as primeiras sinalizações surgem ou são percebidas quando afetam o resultado financeiro.

Portanto, assegurar proteção contra possíveis ameaças ao resultado financeiro constitui prioridade número um.

Cultural

Nos últimos anos temos ouvido muito à respeito de “Educação Financeira”… Diversos programas de rádio e televisão, e na mídia em geral, surgiram e ainda estão presentes de forma incisiva e recorrente, martelando incansavelmente tais questões. Isso não é a toa… Trata-se de um problema real, as gerações mais antigas são ignorantes no assunto, o que pode levar a situação econômica, social e familiar grave.

Diferentes pesquisas mostram que o brasileiro não tem o hábito de planejar. Quanto se trata de aposentadoria, por exemplo, conforme pesquisa realizada pelo SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), 66% dos entrevistados não pensam no futuro.

Não pretendo discorrer sobre a questão da “Educação Financeira” especificamente mas é importante ressaltar que o tema compartilha a mesma raiz, cultural e comportamental.

O estudo propriamente dito

O estudo realizado buscou trazer visibilidade para duas questões principais: i) O fato das pessoas estarem vivendo mais e ii) Os riscos agravados pelas mudanças do cenário (globalização, falência da previdência pública, etc).

Dependendo do perfil do entrevistado a preocupação maior recai sobre uma ou outra questão.

Viver muito

Sobre viver mais, ou seja, maior longevidade. Todos os entrevistados demonstraram que percebem e concordam que estamos morrendo mais tarde… De acordo com as estatísticas do IBGE em 1940 a expectativa de vida do brasileiro era em torno dos 40 anos e atualmente chega aos 75 anos.

Praticamente todos acreditam que irão viver além dos 80 anos e a grande maioria conhece alguém, na ativa, que já ultrapassou essa barreira.

Existe consenso quanto a esse fato. Além disso, outras questões concorrentes, como, por exemplo, o perfil ativo do indivíduo mais idoso, não mais representado pela figura do “velhinho na cadeira de balanço”, nos mostram que os tempos mudaram.

Ainda, continuando por essa mesma linha de raciocínio, destaque também para a mudança das famílias em geral, como por exemplo: os filhos se casando mais tarde, os filhos morando com os pais por mais tempo, os pais sustentando os filhos adultos, etc

Morrer cedo

Sobre morrer precocemente, em função de acidente ou doença, o tema se revelou mais contido. Apesar da morte ser uma certeza inevitável é perceptível a forma tímida como o ser humano encara essa possibilidade.

A grande maioria dos entrevistados todavia demonstra grande interesse pela preservação de suas famílias. Todos consideraram importante garantir os estudos dos filhos e os meios mínimos para manutenção do mesmo padrão de vida.

Há também concordância quanto à falência dos serviços públicos, do sistema de previdência e ao agravamento geral deste cenário específico.

Planejamento

Ao abordar a questão planejamento, sobre como sistematizamos nossos esforços para atingir nossos objetivos, ficou evidente uma certa negligência quanto à priorização atribuída. Apesar de haver concordância sobre a importância de determinadas providencias, a priorização geralmente não respeita a ordem posta.

São questões comportamentais que talvez os estudiosos possam explicar melhor…
De acordo com a proposta skinneriana (Skinner, 1966/1969) podemos considerar um comportamento como sendo um processo envolvendo regras e contingências, ou seja, um comportamento é estimulado em função de determinadas regras (culturais, sociais, legais, religiosas, etc) e são modeladas conforme as contingências associadas (consequências).

Tendo isso em mente é fácil perceber que é muito simples nós mesmos nos autossabotarmos, justificando de forma frágil, para nós mesmos, que algo errado (contrário aos nossos objetivos originais) está certo (aderente às nossas necessidades).

Por exemplo: Imagine que você está de dieta e não está comendo doces, neste caso a regra é “não comer doces”… Você passa em frente a uma padaria e visualiza uma torna de morangos deliciosa e decide comê-la… repete para si mesmo(a) que só irá comer um pedacinho e isso não fará mal algum. Pronto! com isso você artificialmente retirou a contingência (ou consequência, engordar por exemplo) para validar ou justificar a sua atitude inconsistente.

Objetivos relativamente simples deixam de ser alcançados por falha de disciplina e planejamento.

Mitigar os riscos

O estudo realizado ainda mostrou que a grande maioria dos entrevistados sequer questiona a necessidade de se ter um seguro de automóvel (risco de roubo e acidentes), mesmo que nunca tenha sofrido qualquer acidente significativo.

Por outro lado, ao avaliar um seguro de vida, vitalício, com acumulação de reserva, aderente às necessidades previamente estudadas e compatível com o orçamento (no caso o produto objeto de nosso estudo) o processo decisório transita irracionalmente na mente de grande parte dos entrevistados, no “padrão torta de morangos”, exemplificado acima.

Conclusão

Nem sempre uma decisão tomada é fiel à real necessidade. O ser humano tem uma capacidade incrível. Uma mente destreinada se torna vulnerável à autossabotagem.

A autossabotagem habita o inconsciente, representa a tentativa da sua mente de manter o status quo e garantir que nenhuma grande mudança ocorrerá.

Assim como já acontece no campo da “Educação Financeira”, é preciso promover a educação também no âmbito da “Gestão de Riscos”, para minimamente garantir condições mais favoráveis para as nossas famílias, sócios, empresas e sociedade em geral, assegurando caminhos mais suaves em situações de contingência.

Pense nisso!

Palmito – aprenda de onde vem

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Recordações da infância são sempre emblemáticas… Lembro de minha mãe voltando da feira, em plena Alameda Jaú (no bairro do Cerqueira César em São Paulo/SP), com o carrinho cheio de verduras frescas, um frango vivo embrulhado no jornal em uma das mãos e uma tora de palmito debaixo do braço… Hoje em dia isso não existe mais, frango vivo nem pensar!… palmito só no vidro…

Coisa de cunhado

Meu cunhado, depois de velho, resolveu aprender gastronomia… legal! Aí, às vésperas da formatura, vem a correria para preparar o TCC, e, como não poderia deixar de ser, chama o cunhado para colaborar… Eis portanto eu aqui refletindo sobre o tema…


A geração de agora provavelmente nunca viu um “pé de palmito”, alguns talvez nem saibam que o “pé de palmito” é a palmeira… o que dirá ter tido acesso ao produto “in natura”.


Vamos então compartilhar um pouquinho dos bastidores do cultivo de palmito…


Como se planta

Antes de falar sobe o plantio é bom que se diga que, em princípio, qualquer palmeira pode fornecer palmito. A palmeira considerada a rainha dos palmitos foi, e sempre será, a “juçara” (Euterpe edulis), originária da Mata Atlântica. Essa palmeira, por essa razão, foi explorada exaustivamente e hoje em dia é protegida, o seu corte constitui crime ambiental.


Apenas recentemente, no Vale do Ribeira, iniciaram-se alguns cultivos sustentáveis da palmeira Juçara, principalmente para exploração da fruta.


Como alternativas para o “juçara” temos o palmito do Açaí (
Euterpe oleracea), da palmeira real (Archontophoenix cunninghamiana), da palmeira imperial (Roystonea Regia) e o pupunha (Bactris gasipaes). Temos também o palmito híbrido Açaí/Juçara mas isso é uma outra história…


Enfim, qualquer que seja a palmeira, o cultivo inicia-se com a colheita e preparo das sementes (coquinhos). Simplificadamente o processo consiste em 1) despolpa dos coquinhos; 2) higienização com água clorada; 3) secagem; 4) armazenamento; 5) preparo das mudas.


O primeiro passo portanto é a colheita dos frutos maduros; após a colheita, é feito o despolpamento do fruto, retirando-se a semente manualmente. Após a extração, as sementes são postas de molho em água por 48 horas, com troca diária da água, a fim de facilitar a retirada do resto da polpa que fica aderida às mesmas. Em seguida, as sementes são limpas em água corrente e tratadas com uma solução de hipoclorito de sódio a 1% ou água sanitária a 50%, durante um período de 15 minutos. Após o tratamento, as sementes são secas à sombra por um período de 24 horas.


O canteiro para semeadura pode ser composto por apenas areia ou por substratos mais elaborados, por exemplo, por um substrato contendo 50% de areia grossa + 50% de pó de serra curtido. Neste último caso deve ser feito um tratamento à base de brometo de metila, a fim de isentar insetos, fungos e nematóides que porventura se apresentem no substrato.


Não existe regra exata mas a semeadura pode ser feita em sulcos espaçados em 5 cm e as sementes espaçadas em 2 cm no comprimento do sulco. Uma vez posicionadas, as sementes são recobertas com com 1 a 2 cm de altura com o substrato.


Sobre os canteiros utilizamos uma tela de sombrite a 50% de luminosidade, inclusive nas laterais, a fim de propiciar o controle de insetos e, também, possibilitar que o substrato fique com umidade adequada para a germinação.


A irrigação do canteiro é feita periodicamente, tendo-se cuidado de não irrigar em demasia. O excesso de água propicia o aparecimento de fungos e apodrecimento das sementes.


A germinação leva em média 60 dias e a porcentagem de sucesso varia conforme a variedade da palmeira. No caso da pupunha, que tem o pior índice de germinação é, em média, de 60 a 80 por cento.


Como se replanta

O transplante (repicagem) das plântulas recém-germinadas é feito quando a parte aérea atinge cerca de 1 a 3 cm de altura; nesse estágio (“ponta de agulha”), as plântulas ainda não abriram suas folhas. Essa operação é feita com o canteiro úmido, porque facilita a retirada da plântula sem destacar a semente; caso isto ocorra, acarretará a morte da plântula.


O replante é feito em sacos de polietileno para mudas (furados) com 20 cm de diâmetro por 25 cm de comprimento e 0,20 mm de espessura, o substrato pode o mesmo do canteiro, enriquecido com matéria orgânica (húmus ou composto orgânico). Não sei dizer se é mito ou realidade mas recomenda-se podar alguns cm das raízes ao replantar.

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As mudas estarão prontas para ir para o campo quando tiverem 3 folhas.


Uma vez no campo, em condições ideais, a palmeira estará pronta para o corte em 3 ou 4 anos (diâmetro 15cm). O palmito Juçara demora cerca de 10/15 anos.


obs.: Note que o Juçara cresce em haste única, enquanto que o Açaí perfila (3 ou mais hastes).


Sobre o fruto da palmeira

Com a popularização do cultura do palmito outros produtos derivados também se desenvolveram, com especial destaque para a polpa do Açaí – desnecessário comentar os inúmeros predicados dessa fruta, já conhecida e presente no cardápio de atletas e simpatizantes da alimentação saudável.


A exploração comercial da polpa do Açaí é um excelente negócio e muitos produtores de palmito estão se vocacionando para trabalhar com a polpa, dando menos ênfase ao palmito.


Além disso, pelo mesmo motivo, começa-se a explorar a polpa do Juçara, com qualidade similar ou superior ao próprio Açaí. Dessa forma, já que o Juçara é protegido, começa-se a viabilizar o seu plantio de forma sustentável.


Vale mencionar também que, de uma palmeira de aproximadamente 15mts, apenas 80cm é aproveitado (o palmito) – o tronco e as folhas são subprodutos que podem ser reaproveitados como “biomassa” (para produção de energia ou adubo orgânico).


Embora não tenha conhecimento de trabalhos mais elaborados, por comunidades de artesãos e/ou ONGs, é certo que, dos cachos, das folhas, das cascas, interessantes peças artesanais podem ser criadas.


A qualidade e a procedência

Aferir a qualidade e a procedência do produto constitui uma grande preocupação já que a desova de produto clandestino no mercado é grande.


Gangues conhecidas como “palmiteiros” invadem propriedades particulares e áreas protegidas para obtenção clandestina de palmito. Os palmitos são cortados dentro da mata e cozidos em latões sob péssimas condições de higiene, depois são transportados pela mata até barcos escondidos em represas ou rios, ou deixados em pontos onde serão coletados por caminhonetes no meio da noite; após chegar às fábricas, são lavados e colocados em frascos aparentemente limpos, mas podem causar vários tipos de doenças, como hepatite, botulismo, cólera entre outras.


Procure adquirir o produto somente em estabelecimentos conhecidos, observe rótulo e demais condições da embalagem. Antes de consumir, recomenda-se drenar todo o líquido e lavar da mesma forma que se faz com as verduras, em solução clorada.


Conclusão

O palmito é certamente um produto de luxo e seduz inúmeros consumidores e chefes de cozinha, ingrediente quase indispensável.


Por outro lado demanda muitos cuidados no que diz respeito à qualidade, devido ao alto grau de exploração clandestina.


Atualmente é possível produzir de forma sustentável, sem prejudicar a natureza, por mais estranho que possa parecer, já que é preciso derrubar uma planta de 15mts para a retirada de um palmito de 80cm.


Como sempre digo: não dá para fazer omelete sem quebrar o ovo!


Agora preciso ir, vou degustar um empadão goiano com Gariroba (outro tipo de palmeira) que o cunhadão está preparando…!


Helder Sampaio (produtor na região do Vale do Ribeira)