CRISE – Até que ponto faz sentido negá-la!

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As crises sempre estiveram presentes, em especial na vida dos brasileiros. Todavia, os brasileiros, ocupam posição de destaque no ranking da regularidade. É difícil lembrar de alguma crise com as dimensões da atual, que se autoalimenta e que parece não ter fim… Mas até que ponto temos que ser “otimistas” e até que ponto devemos encarar a crise como uma “crise” de fato.

O IMPORTANTE E NÃO ADMITIR

Há quem diga que o importante é negar… Aquela negação que os políticos estão acostumados a proferir: Não sabia de nada! ou aquela celebre declaração de Paulo Maluf: “Não tenho nenhuma conta em paraíso fiscal. Deixa gravado aí: se eu tenho uma conta bancária na Suíça, o que for, deixo já a você a procuração para doar para a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo – desafiou Maluf, em 28 de agosto de 2001”

Mesmo diante de tantas evidências e da obviedade dos fatos a regra é NEGAR, como se fosse a única forma de se safar… “tudo que disser poderá e será utilizado contra você nos tribunais…”

Da mesma forma, é regra entre os empresários lojistas, quando perguntados sobre a performance de seus negócios, responder sempre de forma padrão: “estamos vendendo muito!” – só que na semana seguinte tem uma faixa na porta “PASSA-SE O PONTO”…

No âmbito financeiro esse expediente é até compreensível, banco nenhum irá admitir problemas em seus negócios, isso certamente faria o problema se materializar de qualquer maneira, mesmo sem crise.

Mas o que ajuda e o que atrapalha esse tipo de mascaramento da realidade. De um lado tem o viés da “energia positiva”, a lei da atração (se você pensa positivo irá atrair resultados positivos), o foco na metade cheia do copo, ou ainda, não sabendo que era impossível foi lá e fez, e assim por diante…

A METADE CHEIA DO COPO

É muito difícil enxergar a metade cheia em um copo vazio, é necessária muita criatividade. Se talvez aceitássemos que o copo está vazio ficaria mais fácil correr atrás de alguma forma de enchê-lo, então a questão assumiria novas perspectivas.

Os processos de cura, de qualquer natureza, para ser eficaz, pressupõe a aceitação da doença, negá-la somente agrava e impede as ações necessárias.

ASSUMIR O CONTROLE

Transferir o problema para outras instancias também não ajuda em nada, é preciso trazê-lo para onde se pode atuar, naquilo que nos diz respeito, onde temos um mínimo de controle.

Votar corretamente, ainda que não hajam políticos corretos, não irá endereçar todas estas questões. Da mesma forma não serão novas leis que irão melhorar o “status quo” político e econômico… Os homens bons não necessitam de leis para agir corretamente, mas os homens maus irão usar as próprias leis para o exercício do mal…

SOMOS RICOS

Numericamente é fácil perceber que tudo que nos falta, serviços públicos decentes, educação, saúde, segurança, infraestrutura, entre outras coisas, seriam facilmente implementados se o nosso dinheiro não fosse desviado das mais diversas formas para grupos políticos e comunidades perversas de empresários, que se locupletam sem o mínimo de respeito pelo direito alheio.

De todo dinheiro desviado, apurado pelas diversas operações da Polícia Federal (lava-jato é apenas uma delas, a lista é enorme) deixa claro que a “dinheirama” que rola é astronômica. O que a PF consegue apontar é apenas uma pequena parte o “iceberg” de recursos desviados.

A RAIZ DO PROBLEMA

A estrutura do mal se desenvolve em torno do modelo político estabelecido, onde os cargos públicos são preenchidos por espertalhões de plantão, com gordas mordomias, políticos legislando em causa própria, um ciclo vicioso sem fim…

Parece sem solução, de nada adianta perseguir e resolver as várias operações da PF se não se elimina o mal pela raiz. A começar pelas mordomias, os privilégios políticos, o exagero no número de partidos e cargos públicos, um desperdício enorme sem justificativa que faça sentido…

Os políticos neste país estão blindados, para eles não existe crise, a crise é do povo apenas, quem realmente paga a conta.

A CRISE

A CRISE existe e é real, não é de hoje, sua origem é estrutural e política, todo o resto é um mera conjunção de fatores que transcende os aspectos econômicos e sociais percebidos.

A solução para CRISE exigirá muita mobilização e um esforço enorme por parte de todos os brasileiros, sem exceção. É preciso eliminar o mal pela raiz… cqc

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O poder da recomendação e o verdadeiro “networking”

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Na vida profissional não há nada mais relevante do que os relacionamentos e a consequente capacidade de gerar negócios, baseados na confiança e na credibilidade, uma via de duas mãos… No contexto das relações humanas, é sabido que é “dando que se recebe”… a atitude “servidora” amplifica os resultados, doe com amor e receberás tudo em dobro…

Quando se tem boa vontade tudo fica mais fácil

Não é raro observarmos as pessoas torcerem o nariz quando pedimos alguma indicação… parece até que estamos levando um contrato de fiança ou mesmo pedindo muito dinheiro emprestado… uma sensação, de certa forma, muito desagradável…

Na verdade não se trata de uma mera indicação, o que se espera no fundo é uma recomendação… E recomendação é coisa muito séria, uma chancela que garante a procedência e a honestidade da oferta.

Só se deve solicitar recomendação daqueles que verdadeiramente confiam em você e que, sem subterfúgios, corroboram as mensagens que deseja transmitir.

A legitimidade da relação

A relação legítima é aquela que percebe o valor da sua proposta, isenta, concreta, capaz de atender reais necessidades, ou seja, resolve algum problema específico e gera benefícios tangíveis dentro daquilo que se propõe.

Não é exatamente um favor, muitas vezes o favor maior quem leva é você, pois provavelmente entrega algo útil e necessário para alguém que precisa… uma oportunidade que, muitas vezes, de outra forma, não seria percebida.

Percepção de valor

As pessoas tem necessidades que nem sabem… Muitos acham que estão protegidos, mas não estão… São crenças limitantes que impedem a percepção das vulnerabilidades a que estão expostos, sem ajuda é muito mais difícil perceber…

É um tema que tem viés comportamental… esconder a fatura embaixo da bandeja não irá eliminar a conta… uma hora ela será cobrada!

A missão é ajudar as pessoas

A missão é ajudar as pessoas e isso pode ser feito de diversas maneiras, com produtos, soluções ou qualquer iniciativa que contemple algum problema ou situação adversa que demande melhorias.

Pode ser preventivo, visando mitigar algum risco, ou pontual, para reverter alguma situação negativa. Pode envolver soluções de prateleira ou ‘taylor made’, especificamente desenhada para determinado caso, conforme contexto específico.

Sempre há algo para agregar

Raramente encontramos um potencial cliente que não se enquadra em nenhum modelo de melhoria, mesmos aqueles que negam haver qualquer inadequação ou vulnerabilidade, o fazem segundo critérios muito pessoais, sem real sintonia com a racionalidade que muitas vezes o tipo de decisão exige.

Diante do possível cliente, recomendado por alguém, isso é indiferente, a proposta se resume a entender o contexto do cliente e eventualmente apresentar possíveis propostas de melhorias, só isso!… O pastor tem a obrigação de levar o animal até a beira do rio, beber da água cabe apenas ao animal…

Apenas recomende aquilo que acredita (ou quem você confia)

Se realmente crê na legitimidade da solução ou confia naquele que a apresenta, então não haverá razão para esquivar-se de recomendar, isso com certeza manterá o seu “networking” elegantemente ativo… o resto não deve ser preocupação sua…

Pense nisso!

Sustentabilidade e Trabalho

Programa VISÃO TRABALHISTA em debate, do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região – Sindmetal, exibido pela TVOSASCO em maio/2015 – participação do Eng. de Segurança do Trabalho, HELDER SAMPAIO, convidado para falar de SUSTENTABILIDADE e TRABALHO…

 

O que Segurança do Trabalho tem a ver com Sustentabilidade?

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Este foi o convite à reflexão que o prof. Leonídio Ribeiro Filho, uns dos mentores da Segurança do Trabalho no Brasil, dirigiu aos alunos de pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho da UNIP. O tema é complexo e induz os empresários a reverem os conceitos…

Sustentabilidade

Quando se fala em sustentabilidade muitos estabelecem a sua relação, quase que exclusivamente, com os recursos naturais do planeta. Muitas vezes esquecem-se de incluir a espécie humana como parte do problema.

Sustentabilidade na verdade possui inúmeros vetores, não necessariamente apenas aqueles relacionados à fauna, flora e aos recursos naturais em geral.

A definição clássica de Sustentabilidade, conforme relatório de Brundland (1987) – ONU, é a seguinte: “desenvolvimento sustentável é aquele que atende as necessidades das gerações atuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem a suas necessidades e aspirações”.

Está claro portanto que a sustentabilidade está centrada no “ser humano”, todo o resto fica sem sentido se a perenidade da vida humana não puder ser defendida.

Aspectos que extrapolam o meio ambiente

Seguindo nesta linha de raciocínio é fácil perceber que o meio ambiente, como deve ser visto, abrange o ser humano e todo o seu contexto social e econômico.

Assim, preservar a sustentabilidade implica em garantir também o equilíbrio do contexto social e econômico.

Segurança do trabalho

A segurança do trabalho visa fundamentalmente a promoção da saúde e segurança do trabalhador. Uma definição para Segurança do Trabalho pode ser a seguinte: “corresponde ao conjunto de ciências e tecnologias que tem por objetivo proteger o trabalhador, buscando minimizar e/ou evitar acidentes de trabalho e doenças ocupacionais”.

Portanto, seguindo neste viés, a segurança do trabalho, ao proteger o trabalhador, também assegura o equilíbrio social e econômico, ou seja, a sustentabilidade como um todo.

A perspectiva empresarial

Por outro lado, do ponto de vista empresarial, cuidar da segurança do trabalhador, tem implicações mais profundas já que possui relação direta com a qualidade e com a produtividade.

O velho conceito de segurança do trabalho, baseado apenas no cumprimento mínimo das exigências legais, não cumpre a missão estratégica da sustentabilidade.

A perenidade do negócio depende da sustentabilidade, uma coisa está ligada à outra – a própria sustentabilidade fica comprometida quando os negócios fracassam.

A lei universal

Como em tudo, aqui também prevalece a lei universal, o equilíbrio como sendo a premissa presente na compreensão de todos os processos da natureza – havendo desiquilíbrio forças surgirão tendendo a reequilibrar o sistema.

Assim sendo, a harmônia deve ser a grande meta, os aspectos empresariais, sociais, econômicos, ambientais, ecológicos etc, devem estar todos alinhados em um patamar de equilíbrio que faça sentido.

Estratégia e Segurança do Trabalho

O melhor caminho portanto é aquele que se alicerça no “ser humano”, o agente capaz de promover todos os outros vetores que contribuem para a sustentabilidade.

A segurança do trabalho deve ser vista como componente estratégico dos negócios. Além da sua relação com a qualidade e a produtividade, ao promover a saúde (física e mental) e segurança do trabalhador, tem-se a matéria-prima essencial para o desenvolvimento dos negócios, o “ser humano” mais engajado, mais criativo…. e feliz…

Pense nisso!

Quando um casamento não vai bem…

egoismoUma empresa é como um casamento, se não há cumplicidade e compartilhamento de valores, não se pode esperar grandes resultados… Todos gostam do PLR (participação nos lucros e resultados), mas rejeitam qualquer possibilidade de participação nos resultados quando estes não os favorece…

Um dos pré-requisitos para a sustentabilidade é o equilíbrio. É a lei universal, presente em tudo, na física, nas leis de newton, na ação e reação, causa e efeito, etc… Portanto qualquer esforço que provoque distorção irá gerar forças ou efeitos no sentido oposto, tendendo a restaurar o equilíbrio…

No campo financeiro, o equilíbrio também é fundamental, não se pode gerar despesas maiores que as receitas. Ao gerar despesas maiores que as receitas, ou se caminha para o caos absoluto, inviabilizando a retomada do equilíbrio ou geram-se esforços adicionais para restaurar o equilíbrio.

A natureza tem nos mostrado esta lei de forma implacável, as tragédias divulgadas na TV nada mais são do que a natureza buscando resgatar as agressões provocadas pelo homem.

O filme “The day after” mostra este efeito levado as últimas consequências, retrata o problema e o possível resultado da negligência quanto à busca do equilíbrio e da sustentabilidade.

Podemos notar que temos estas mesmas questões dentro de casa, as contas domésticas devem ser compatíveis com o orçamento, e não adianta estrebuchar pois não tem como gerar recursos do nada… No limitado entendimento de uma criança é compreensível que não se aceite uma negativa, quando ela quer que o pai compre um brinquedo irá estrebuchar até ser atendida ou até ser repreendida. Na vida real, adulta, o não é uma resposta válida.

Nas empresas, nas equipes de trabalho, essa é uma situação corriqueira… Dividir lucro todo mudo quer, dividir obrigações e compromissos já não é tão fácil assim. Aqui também prevalece a essência egoísta do ser humano, as prioridades pessoais em primeiro lugar, primeiro o meu depois o seu (da empresa, do sócio, etc)… o que é teu (empresa) é nosso e o que é meu é meu! Dividir e colaborar é coisa complicada demais… A questão central não é quem deve pra quem e sim quem pode e quem não pode…para benefício do conjunto… Não trata-se daquilo que as empresas podem fazer por seus colaboradores mas sim o que os colaboradores podem fazer por suas empresas.

Como disse antes o equilíbrio é o segredo de tudo. Portanto para que mudanças ocorram é preciso manter o equilíbrio, planejar as ações com cautela e permitir o fluxo natural das coisas. Qualquer providencia diferente agrava e não resolve.

Sem tranquilidade para planejar e reconstruir não se chega a lugar algum. Um vai construindo e o outro vai atrás desmanchando… O barquinho afundando, furado, um tirando água com o baldinho e os outros olhando… como se não estivessem no mesmo barco!… vamos mais rápido, tira mais água, tá muito devagar!!!!

É a gata sem leite e os gatinhos miando na orelha… Pense nisso !

Gestão Empresarial – Quando as peças não se encaixam…

teoria do caosMuitos empresários perdem o controle de seus negócios por não perceberem a falta de sintonia e engajamento de sua equipe… Liderar é diferente de chefiar… Liderar requer entrosamento com a equipe, cumplicidade e clareza de objetivos. Para desenvolver liderança é necessária muita humildade, disposição para rever conceitos e a adoção de postura isenta, só assim é possível trazer visibilidade para as diferentes perspectivas…

Introdução
Muitos empresários sequer percebem a situação caótica de seus negócios, até o problema atingir o bolso… Para eles tudo está muito bem e todos estão felizes em seus postos de trabalho.

Normalmente são empresários de sucesso, com perfil dominante, muito capazes, técnicos e pragmáticos. Tendem a comandar sem efetivamente envolver a equipe ou, se as envolve, não acompanha como deveria, o que gera distanciamento e alguma perda de credibilidade.

No médio e longo prazo gera ineficiência e crescente falta de comprometimento e cumplicidade da equipe. A situação se agrava quando surgem dificuldades financeiras advindas de crises econômicas ou qualquer outra circunstancia adversa.

Entender o que está acontecendo é o primeiro passo, virar as costas e ignorar os fatos pode ser catastrófico para o negócio…

Questões financeiras
Os primeiros indicadores que sinalizam que algo não anda bem são provenientes dos demonstrativos financeiros… Muito provavelmente se os resultados obtidos são reiteradamente desfavoráveis, desalinhados dos objetivos estratégicos, algo errado está acontecendo…

Diagnóstico empresarial
Para se ter uma boa perspectiva da situação é necessário realizar o diagnóstico empresarial. O diagnóstico empresarial é multidisciplinar e leva em conta as várias componentes do negócio, em termos financeiros, organizacionais, tecnológicos, mercadológicos e estratégicos.

Ao realizar o diagnóstico é possível detectar os “gaps” de gestão e a dimensão das situações de não conformidade, permitindo assim priorizar e planejar as ações necessárias para resolver os desafios apresentados.

Proteger a receita
Ainda que todos concordem que preservar as receitas constitui prioridade notamos uma certa falta de atenção por parte dos empresários com relação isso.

Na tentativa de desenvolver algum novo negócio ou recuperar algum projeto deficitário, muitos empresários acabam comprometendo a fatia saudável do negócio, agravando a situação geral.

Para proteger a receita é preciso avaliar com muito critério as atividades lucrativas e prioritárias para o negócio, blindando-as.

Sistemas de Gestão
Independentemente do tamanho do empreendimento é de suma importância a utilização de um sistema integrado de informação (ERP, Enterprise Resource Planning), capaz de dar suporte aos processos de negócio de forma consistente. Negligenciar o uso da tecnologia representa um grave risco à perenidade do negócio.

Existem inúmeras soluções para “Sistema de Gestão” no mercado, algumas gratuitas, outras muito sofisticadas e extremamente caras, mas com certeza sempre haverá uma compatível com a realidade de cada negócio.

Sem um sistema de gestão adequado é quase impossível atender a todas as demandas de uma gestão eficaz.

Liderança
A liderança deve estar alicerçada em valores, nada se consegue quando a liderança se confunde com a relação de subordinação. A liderança em seu maior grau admite delegação integral, não requer supervisão e goza de confiança recíproca.

O líder promove um ambiente positivo e despreocupado, acredita  em si mesmo, nos outros e no futuro. O líder interage com todos de forma respeitosa e cooperativa  para otimizar recursos humanos e materiais.

O líder se concentra nas ações importantes e evita desvios, cria um fluxo de significados entre as partes.

O líder mantém a calma e o ânimo independente das circunstâncias.

O líder sabe falar e escutar com igual aproveitamento.

Missão, Visão e Valores
Não se pode gerenciar o que não se pode medir… Não se pode medir o que não se pode definir… e não se pode definir o que não se entende…

Portanto entender os valores e os objetivos estratégicos da organização é o primeiro passo para efetivamente implementar um Sistema de Gestão.

Engajamento
Para que haja engajamento e colaboração faz-se necessário garantir o entendimento da missão, visão e valores da organização (da parede para a prática!).

Não há comprometimento onde não se entende o propósito ou quando não há concordância de valores.

As pedras grandes primeiro
Para a fluidez das ações é preciso planejamento e foco. Pretender resolver tudo o tempo todo só gera mais preocupação… É importante concentrar-se naquilo que é importante e urgente primeiro (as pedras grandes).

Foco
Uma boa definição dos objetivos estratégicos é o que garante o foco. O foco dá significado para as ações e ajuda nas tomadas de decisão. Não há rigidez, admite flexibilidade, pois o mundo está em constante mudança.

Estratégia (Problema / Solução)
Estudar e definir uma boa estratégia é a garantia de bons resultados. Colocar o foco nas demandas do mercado é estar um passo à frente da concorrência. Não trata-se de vender o seu produto mas sim produzir o produto que resolve os problemas do seu mercado.

Entenda o seu “avatar”, pensar com foco no cliente já era… agora é pensar com o foco do cliente.

Fazer acontecer (PDCA)
Nada do dito até agora resolverá se não houver ação associada. Para obter resultado efetivo é preciso estabelecer um plano de ação e colocá-lo em prática.

Qualquer que seja o plano ele deve ser:

a) RELEVANTE, deve conter um propósito que faça sentido e todos devem reconhecê-lo assim,
b) REALISTA, compatível com a realidade do negócio, realizável…
c) MENSURÁVEL, possível de ser medido ou avaliado (indicadores),
d) ESPECÍFICO, claro, objetivo e suficientemente detalhado,
e) TEMPORAL, com prazos definidos.

A relevância é citada em primeiro lugar propositalmente pois é o mais importante quesito em qualquer processo… Ninguém leva a sério algo que não concorda fazer sentido ou que não possua algum significado importante para ele e/ou para o negócio.

“Um revolucionário é capaz de entregar a própria vida para defender a causa em que acredita”

Hábitos
Por fim, não poderia passar sem destacar a importância dos hábitos na gestão… Não há como gerar perenidade sem o desenvolvimento de hábitos… Uma gestão eficaz se constrói a partir de práticas saudáveis, muitas destas alicerçadas por atitudes ou comportamentos virtuosos.

São características comportamentais que definem como os indivíduos reagem diante de situações de conflito, dúvidas e pressões diversas.

A boa notícia é que existem métodos para desenvolver hábitos saudáveis, para  ampliar a resiliência do indivíduo e auxiliar no desenvolvimento de um ambiente de trabalho mais adequado, produtivo e colaborativo.

Conclusão
O mundo a cada dia está mais globalizado e competitivo, com excesso de informações, muitas demandas e exigências cada vez mais complexas… Este estado de coisas leva o indivíduo à situações de extremo estresse, muitas vezes gerando alienação e indiferença.

Perceber esse contexto e atuar na raiz do problema (o indivíduo) irá tornar as questões técnicas muito mais simples de serem resolvidas.

   Pense nisso!

A NOSSA PERCEPÇÃO DOS RISCOS

RISK AHEADRecentemente realizei um trabalho que envolveu entrevistas com profissionais liberais, empresários e empreendedores, para avaliar um novo produto e assim determinar sua aderência com relação às necessidades. Embora o tamanho de nossa amostra não nos permita, com rigor, dizer que a mesma representa o grupo, em vários casos, foi possível observar a falta de percepção com relação aos riscos… Em parte por questões culturais mas também devido a programações subliminares sedimentadas no inconsciente do indivíduo. Neste artigo busco trazer visibilidade para essa questão como uma forma de prevenção contra os efeitos nocivos resultantes.

O que é risco?

Antes de avançar, para melhor entendimento, é necessário conceituar o que é “risco”… Risco pode ser entendido como uma possibilidade de ocorrência de algum evento não planejado, incerto, normalmente prejudicial ou danoso à saúde, ao patrimônio, à família ou à sociedade.

O que é necessidade?

Da mesma forma, é preciso definir necessidade… No contexto da abordagem deste artigo, é tudo aquilo que o indivíduo reconhece como útil para o seu desenvolvimento, crescimento, conforto ou sobrevivência. Dessa forma risco pode ser entendido como ameaças com relação à realização das necessidades do indivíduo.

Uma questão de ordem financeira

Do ponto de vista empresarial podemos dizer sem medo de errar que um dos quesitos mais relevantes, presentes em qualquer trabalho de consultoria, são as questões de ordem financeira.

A maior parte dos indicadores que alicerçam as ações de melhoria são financeiros. Podemos facilmente notar que, diante de qualquer problema, as primeiras sinalizações surgem ou são percebidas quando afetam o resultado financeiro.

Portanto, assegurar proteção contra possíveis ameaças ao resultado financeiro constitui prioridade número um.

Cultural

Nos últimos anos temos ouvido muito à respeito de “Educação Financeira”… Diversos programas de rádio e televisão, e na mídia em geral, surgiram e ainda estão presentes de forma incisiva e recorrente, martelando incansavelmente tais questões. Isso não é a toa… Trata-se de um problema real, as gerações mais antigas são ignorantes no assunto, o que pode levar a situação econômica, social e familiar grave.

Diferentes pesquisas mostram que o brasileiro não tem o hábito de planejar. Quanto se trata de aposentadoria, por exemplo, conforme pesquisa realizada pelo SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), 66% dos entrevistados não pensam no futuro.

Não pretendo discorrer sobre a questão da “Educação Financeira” especificamente mas é importante ressaltar que o tema compartilha a mesma raiz, cultural e comportamental.

O estudo propriamente dito

O estudo realizado buscou trazer visibilidade para duas questões principais: i) O fato das pessoas estarem vivendo mais e ii) Os riscos agravados pelas mudanças do cenário (globalização, falência da previdência pública, etc).

Dependendo do perfil do entrevistado a preocupação maior recai sobre uma ou outra questão.

Viver muito

Sobre viver mais, ou seja, maior longevidade. Todos os entrevistados demonstraram que percebem e concordam que estamos morrendo mais tarde… De acordo com as estatísticas do IBGE em 1940 a expectativa de vida do brasileiro era em torno dos 40 anos e atualmente chega aos 75 anos.

Praticamente todos acreditam que irão viver além dos 80 anos e a grande maioria conhece alguém, na ativa, que já ultrapassou essa barreira.

Existe consenso quanto a esse fato. Além disso, outras questões concorrentes, como, por exemplo, o perfil ativo do indivíduo mais idoso, não mais representado pela figura do “velhinho na cadeira de balanço”, nos mostram que os tempos mudaram.

Ainda, continuando por essa mesma linha de raciocínio, destaque também para a mudança das famílias em geral, como por exemplo: os filhos se casando mais tarde, os filhos morando com os pais por mais tempo, os pais sustentando os filhos adultos, etc

Morrer cedo

Sobre morrer precocemente, em função de acidente ou doença, o tema se revelou mais contido. Apesar da morte ser uma certeza inevitável é perceptível a forma tímida como o ser humano encara essa possibilidade.

A grande maioria dos entrevistados todavia demonstra grande interesse pela preservação de suas famílias. Todos consideraram importante garantir os estudos dos filhos e os meios mínimos para manutenção do mesmo padrão de vida.

Há também concordância quanto à falência dos serviços públicos, do sistema de previdência e ao agravamento geral deste cenário específico.

Planejamento

Ao abordar a questão planejamento, sobre como sistematizamos nossos esforços para atingir nossos objetivos, ficou evidente uma certa negligência quanto à priorização atribuída. Apesar de haver concordância sobre a importância de determinadas providencias, a priorização geralmente não respeita a ordem posta.

São questões comportamentais que talvez os estudiosos possam explicar melhor…
De acordo com a proposta skinneriana (Skinner, 1966/1969) podemos considerar um comportamento como sendo um processo envolvendo regras e contingências, ou seja, um comportamento é estimulado em função de determinadas regras (culturais, sociais, legais, religiosas, etc) e são modeladas conforme as contingências associadas (consequências).

Tendo isso em mente é fácil perceber que é muito simples nós mesmos nos autossabotarmos, justificando de forma frágil, para nós mesmos, que algo errado (contrário aos nossos objetivos originais) está certo (aderente às nossas necessidades).

Por exemplo: Imagine que você está de dieta e não está comendo doces, neste caso a regra é “não comer doces”… Você passa em frente a uma padaria e visualiza uma torna de morangos deliciosa e decide comê-la… repete para si mesmo(a) que só irá comer um pedacinho e isso não fará mal algum. Pronto! com isso você artificialmente retirou a contingência (ou consequência, engordar por exemplo) para validar ou justificar a sua atitude inconsistente.

Objetivos relativamente simples deixam de ser alcançados por falha de disciplina e planejamento.

Mitigar os riscos

O estudo realizado ainda mostrou que a grande maioria dos entrevistados sequer questiona a necessidade de se ter um seguro de automóvel (risco de roubo e acidentes), mesmo que nunca tenha sofrido qualquer acidente significativo.

Por outro lado, ao avaliar um seguro de vida, vitalício, com acumulação de reserva, aderente às necessidades previamente estudadas e compatível com o orçamento (no caso o produto objeto de nosso estudo) o processo decisório transita irracionalmente na mente de grande parte dos entrevistados, no “padrão torta de morangos”, exemplificado acima.

Conclusão

Nem sempre uma decisão tomada é fiel à real necessidade. O ser humano tem uma capacidade incrível. Uma mente destreinada se torna vulnerável à autossabotagem.

A autossabotagem habita o inconsciente, representa a tentativa da sua mente de manter o status quo e garantir que nenhuma grande mudança ocorrerá.

Assim como já acontece no campo da “Educação Financeira”, é preciso promover a educação também no âmbito da “Gestão de Riscos”, para minimamente garantir condições mais favoráveis para as nossas famílias, sócios, empresas e sociedade em geral, assegurando caminhos mais suaves em situações de contingência.

Pense nisso!

Palmito – aprenda de onde vem

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Recordações da infância são sempre emblemáticas… Lembro de minha mãe voltando da feira, em plena Alameda Jaú (no bairro do Cerqueira César em São Paulo/SP), com o carrinho cheio de verduras frescas, um frango vivo embrulhado no jornal em uma das mãos e uma tora de palmito debaixo do braço… Hoje em dia isso não existe mais, frango vivo nem pensar!… palmito só no vidro…

Coisa de cunhado

Meu cunhado, depois de velho, resolveu aprender gastronomia… legal! Aí, às vésperas da formatura, vem a correria para preparar o TCC, e, como não poderia deixar de ser, chama o cunhado para colaborar… Eis portanto eu aqui refletindo sobre o tema…


A geração de agora provavelmente nunca viu um “pé de palmito”, alguns talvez nem saibam que o “pé de palmito” é a palmeira… o que dirá ter tido acesso ao produto “in natura”.


Vamos então compartilhar um pouquinho dos bastidores do cultivo de palmito…


Como se planta

Antes de falar sobe o plantio é bom que se diga que, em princípio, qualquer palmeira pode fornecer palmito. A palmeira considerada a rainha dos palmitos foi, e sempre será, a “juçara” (Euterpe edulis), originária da Mata Atlântica. Essa palmeira, por essa razão, foi explorada exaustivamente e hoje em dia é protegida, o seu corte constitui crime ambiental.


Apenas recentemente, no Vale do Ribeira, iniciaram-se alguns cultivos sustentáveis da palmeira Juçara, principalmente para exploração da fruta.


Como alternativas para o “juçara” temos o palmito do Açaí (
Euterpe oleracea), da palmeira real (Archontophoenix cunninghamiana), da palmeira imperial (Roystonea Regia) e o pupunha (Bactris gasipaes). Temos também o palmito híbrido Açaí/Juçara mas isso é uma outra história…


Enfim, qualquer que seja a palmeira, o cultivo inicia-se com a colheita e preparo das sementes (coquinhos). Simplificadamente o processo consiste em 1) despolpa dos coquinhos; 2) higienização com água clorada; 3) secagem; 4) armazenamento; 5) preparo das mudas.


O primeiro passo portanto é a colheita dos frutos maduros; após a colheita, é feito o despolpamento do fruto, retirando-se a semente manualmente. Após a extração, as sementes são postas de molho em água por 48 horas, com troca diária da água, a fim de facilitar a retirada do resto da polpa que fica aderida às mesmas. Em seguida, as sementes são limpas em água corrente e tratadas com uma solução de hipoclorito de sódio a 1% ou água sanitária a 50%, durante um período de 15 minutos. Após o tratamento, as sementes são secas à sombra por um período de 24 horas.


O canteiro para semeadura pode ser composto por apenas areia ou por substratos mais elaborados, por exemplo, por um substrato contendo 50% de areia grossa + 50% de pó de serra curtido. Neste último caso deve ser feito um tratamento à base de brometo de metila, a fim de isentar insetos, fungos e nematóides que porventura se apresentem no substrato.


Não existe regra exata mas a semeadura pode ser feita em sulcos espaçados em 5 cm e as sementes espaçadas em 2 cm no comprimento do sulco. Uma vez posicionadas, as sementes são recobertas com com 1 a 2 cm de altura com o substrato.


Sobre os canteiros utilizamos uma tela de sombrite a 50% de luminosidade, inclusive nas laterais, a fim de propiciar o controle de insetos e, também, possibilitar que o substrato fique com umidade adequada para a germinação.


A irrigação do canteiro é feita periodicamente, tendo-se cuidado de não irrigar em demasia. O excesso de água propicia o aparecimento de fungos e apodrecimento das sementes.


A germinação leva em média 60 dias e a porcentagem de sucesso varia conforme a variedade da palmeira. No caso da pupunha, que tem o pior índice de germinação é, em média, de 60 a 80 por cento.


Como se replanta

O transplante (repicagem) das plântulas recém-germinadas é feito quando a parte aérea atinge cerca de 1 a 3 cm de altura; nesse estágio (“ponta de agulha”), as plântulas ainda não abriram suas folhas. Essa operação é feita com o canteiro úmido, porque facilita a retirada da plântula sem destacar a semente; caso isto ocorra, acarretará a morte da plântula.


O replante é feito em sacos de polietileno para mudas (furados) com 20 cm de diâmetro por 25 cm de comprimento e 0,20 mm de espessura, o substrato pode o mesmo do canteiro, enriquecido com matéria orgânica (húmus ou composto orgânico). Não sei dizer se é mito ou realidade mas recomenda-se podar alguns cm das raízes ao replantar.

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As mudas estarão prontas para ir para o campo quando tiverem 3 folhas.


Uma vez no campo, em condições ideais, a palmeira estará pronta para o corte em 3 ou 4 anos (diâmetro 15cm). O palmito Juçara demora cerca de 10/15 anos.


obs.: Note que o Juçara cresce em haste única, enquanto que o Açaí perfila (3 ou mais hastes).


Sobre o fruto da palmeira

Com a popularização do cultura do palmito outros produtos derivados também se desenvolveram, com especial destaque para a polpa do Açaí – desnecessário comentar os inúmeros predicados dessa fruta, já conhecida e presente no cardápio de atletas e simpatizantes da alimentação saudável.


A exploração comercial da polpa do Açaí é um excelente negócio e muitos produtores de palmito estão se vocacionando para trabalhar com a polpa, dando menos ênfase ao palmito.


Além disso, pelo mesmo motivo, começa-se a explorar a polpa do Juçara, com qualidade similar ou superior ao próprio Açaí. Dessa forma, já que o Juçara é protegido, começa-se a viabilizar o seu plantio de forma sustentável.


Vale mencionar também que, de uma palmeira de aproximadamente 15mts, apenas 80cm é aproveitado (o palmito) – o tronco e as folhas são subprodutos que podem ser reaproveitados como “biomassa” (para produção de energia ou adubo orgânico).


Embora não tenha conhecimento de trabalhos mais elaborados, por comunidades de artesãos e/ou ONGs, é certo que, dos cachos, das folhas, das cascas, interessantes peças artesanais podem ser criadas.


A qualidade e a procedência

Aferir a qualidade e a procedência do produto constitui uma grande preocupação já que a desova de produto clandestino no mercado é grande.


Gangues conhecidas como “palmiteiros” invadem propriedades particulares e áreas protegidas para obtenção clandestina de palmito. Os palmitos são cortados dentro da mata e cozidos em latões sob péssimas condições de higiene, depois são transportados pela mata até barcos escondidos em represas ou rios, ou deixados em pontos onde serão coletados por caminhonetes no meio da noite; após chegar às fábricas, são lavados e colocados em frascos aparentemente limpos, mas podem causar vários tipos de doenças, como hepatite, botulismo, cólera entre outras.


Procure adquirir o produto somente em estabelecimentos conhecidos, observe rótulo e demais condições da embalagem. Antes de consumir, recomenda-se drenar todo o líquido e lavar da mesma forma que se faz com as verduras, em solução clorada.


Conclusão

O palmito é certamente um produto de luxo e seduz inúmeros consumidores e chefes de cozinha, ingrediente quase indispensável.


Por outro lado demanda muitos cuidados no que diz respeito à qualidade, devido ao alto grau de exploração clandestina.


Atualmente é possível produzir de forma sustentável, sem prejudicar a natureza, por mais estranho que possa parecer, já que é preciso derrubar uma planta de 15mts para a retirada de um palmito de 80cm.


Como sempre digo: não dá para fazer omelete sem quebrar o ovo!


Agora preciso ir, vou degustar um empadão goiano com Gariroba (outro tipo de palmeira) que o cunhadão está preparando…!


Helder Sampaio (produtor na região do Vale do Ribeira)

Análise de Negócios – Como se faz?

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Durante uma conversa com um executivo da área de TI de uma das maiores empresas do setor de seguros, sobre uma posição de Analista de Negócios para um projeto temporário, surgiram questões relacionadas ao papel do AN e algumas associações com “tirador de pedido” e “analista de requisitos”, o que me leva a compartilhar algumas reflexões sobre como devemos encarar a Análise de Negócios…

 

O que é Análise de Negócios (AN)

Tenho visto diferentes definições sobre o que é “Análise de Negócios”, todas mais ou menos equivalentes. Neste artigo disponibilizo para reflexão o meu próprio entendimento do assunto.

Na verdade não se trata de tema novo, a atividade sempre esteve presente nos processos ligados a resolução dos problemas empresariais, aplicados e exercitados das mais diversas formas.

O que talvez seja novo é a busca por uma padronização da forma de se praticar a Análise de Negócios, assunto tratado, por exemplo, no guia BABOK (Business Analysis Body of Knowledge®) do IIBA (International Institute of Business Analysis).

Voltando ao que interessa…, O que é Análise de Negócios?

Defino a “Análise de Negócios” como sendo o conjunto de atividades que permitem:

1) identificar os problemas e desafios do negócio,

2) contextualizar o cenário de negócios,

3) identificar as melhores soluções,

4) viabilizar, fazendo a interface entre o negócio e as soluções (tecnologias), através da interação com as partes envolvidas (stakeholders) e garantindo coerência com a visão estratégica da organização.

Portanto, como dito anteriormente, a prática da Análise de Negócios sempre existiu… A sua aplicação, pelo avanço da tecnologia e surgimento de novas ferramentas, sofreu algumas mudanças mas o conceito e a sua essência continuam os mesmos, constituindo uma forma de garantir a execução satisfatória da estratégia.

No guia BABOK® a Análise de Negócios é definida como sendo “a prática de viabilizar mudanças no contexto de uma organização pela definição das necessidades e recomendação de soluções que entreguem valor às partes interessadas”.

Sobre a definição acima (BABOK®), que sintetiza de outra maneira o que é a AN, apenas comento que, na minha percepção, a AN não necessariamente estaria vinculada à MUDANÇA já que a necessidade de mudança não precede a AN, ou seja, a necessidade de mudança (ou não) é uma das “entregas” da análise de negócios.

Fica fácil perceber que a atividade de AN pode ter um caráter preventivo e não necessariamente estaria vinculada à mudança.

Problemas e Desafios do negócio

Antes de avançar é preciso esclarecer o que é PROBLEMA e o que é DESAFIO do ponto de vista de negócio:

a) Problema é tudo aquilo que implica em perdas (de qualidade, de eficiência, de tempo, de recursos, de mercado etc).

b) Desafios são as oportunidades de melhoria, que agregam algum ganho para o negócio (de qualidade, de eficiência, de tempo, de recursos, de mercado etc), ou seja, não necessariamente um problema.

Conhecer o Negócio

Portanto, a primeira etapa para se praticar a Análise de Negócios é conhecer o negócio, seus problemas e os seus desafios.

Para tanto é preciso ter visão de conjunto, com especial atenção às inter-relações das diversas vertentes do negócio, multidisciplinar!

Várias são as técnicas e as ferramentas para se conhecer o negócio (e seus problemas e desafios): simples observação, entrevistas, análise de documentos, pesquisas, mapeamento de processos, etc. Muitas destas técnicas são apresentadas no guia BABOK®

Perfil do Analista de Negócios

Para o exercício isento da Análise de Negócios, é aconselhável que o profissional tenha um perfil “generalista”. Vale lembrar que todo generalista em algum momento de sua carreira foi especialista em alguma matéria, o que não desabona.

Por outro lado, note que o exercício da AN por um “especialista praticante” pode não ser muito interessante, já que suas ações poderão estar sob a influência da sua área de especialidade, o que pode tirar a isenção que a atividade exige.

Além disso, por dominar determinada matéria, o especialista pode, ao invés de exercer análise de negócios, se envolver em outras tarefas, o que certamente afeta a qualidade da AN.

Não irei abordar os outros aspectos do perfil do Analista de Negócios, mas obviamente vários são os pré-requisitos comportamentais essenciais para o bom desempenho da função de AN.

Note que uma das áreas de conhecimento do guia BABOK® trata justamente das “Competências Fundamentais”.

Análise de Negócio x Tecnologia da Informação

Outro grande equívoco é achar que a Análise de Negócios está associada apenas aos projetos de TI.

Perceba que as atividades de Análise de Negócios não têm necessariamente relação com projetos de TI. Qualquer empreendimento ou projeto se beneficia da prática da Análise de Negócios, pois, como dito acima, ela possibilita a identificação dos problemas e desafios do negócio, viabilizando os ajustes e as melhorias necessárias.

Por outro lado, talvez por isso também a confusão, a grande maioria dos projetos, em maior ou menor grau, sempre envolvem alguma componente de TI.

Confusões sobre o papel do AN

Outra questão recorrente, e talvez a mais preocupante, é a atribuição de atividades que conflitam com o papel do Analista de Negócios. Dentre estas, para exemplificar, a “análise de requisitos de software”.

Atividades dessa natureza estão associadas à “análise de sistemas” e, por serem mais operacionais, roubam a serenidade do Analista de Negócios, prejudicando a visão holística do negócio que este profissional deve ter.

Perceba que “análise de requisitos de negócio” é atribuição do Analista de Negócios, o que difere de “análise de requisitos de software”.

O BABOK®, por exemplo, indica que o foco do Analista de Negócios deve estar no Escopo do Produto (as características e funções que descrevem um produto, serviço ou resultado) enquanto que o Escopo do Projeto (o trabalho que precisa ser realizado para entregar um produto, serviço ou resultado com as características e funções especificadas) é foco do GP (gerente de projetos).

O produto no caso equivale ao NEGÓCIO (estratégia) e o projeto equivale a SOLUÇÃO (que realiza a estratégia).

Atomização da AN

Assim como praticado pela gerência de projetos, que divide projetos maiores em vários subprojetos, é possível realizar Análise de Negócios em diferentes níveis.

Contudo, ainda que se pratique AN na forma atomizada, é de extrema relevância manter o alinhamento com a estratégia corporativa.

Conclusão

Embora se perceba inúmeros avanços no estudo da Análise de Negócios e na sua aplicação nas organizações, é evidente a falta de informação predominante junto aos altos escalões das empresas.

Um dos maiores desafios da Análise de Negócios é, portanto, a conscientização dos empresários quanto à relevância do papel do AN e sua efetiva contribuição no desenho e realização da estratégia.

 

Juniorização da estrutura… (e seus riscos)

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Em uma descontraída conversa durante um “happy-hour” com amigos surgiu o assunto “filhos x carreira profissional”… um amigo advogado criminalista comentou que sua esposa preferia não programar filhos pois estaria concorrendo a uma vaga para JUIZ… Juiz! Exclamei surpreso… mas ela só tem 26 anos!!!… O fato remete à questão da juniorização da mão de obra e aos seus riscos, que comento, através de alguns “insights”, mais abaixo no artigo que segue…

 

Juniorização da estrutura

Esse fenômeno tem ganhado a atenção de diferentes profissionais especialistas em gestão e de alguns empresários mais antenados… Na edição de março/14 da revista VocêRH o assunto virou capa e chama a atenção para os riscos que sua adoção gera (recomendo a leitura).

 

Implementação x Técnica

Não é de hoje que “maturidade” representa uma componente com alto grau de influência nos resultados e no sucesso dos projetos. Em projetos de TI, por exemplo, é notória a relevância da “senioridade” (destaque para as competências comportamentais) nos processos de condução de uma boa implementação. Sabemos que 80% do projeto é implementação (pessoas), os outros 20% é apenas técnica (tecnologia).

 

Horas de voo x Horas em simulador

Mas o quê representa “maturidade” no contexto discutido aqui? Trata-se do processo de vivência profissional que só pode ser adquirido com anos de experimentação prática. A não ser que se traga essa bagagem de outras vidas não há possibilidade de adquirir “maturidade” sem a contrapartida do investimento em tempo.

Fazendo analogia com os pilotos de boeing é possível perceber que não basta ser um ótimo piloto de simulador, é preciso ter muitas horas de voo… Te pergunto: Você entraria em um avião sabendo que o piloto tem pouquíssimas horas de voo?

Na introdução deste artigo menciono o juiz com 26 anos, você se sentiria confortável com o julgamento e a sentença de um juiz de 26 anos? (e se você fosse o réu? rs).

E como se sentiria com relação a um cirurgião, recém formado, com pouca experiência prática?

 

Ansiedade e Ambição

Isso tudo não quer dizer necessariamente que o profissional jovem seja ruim ou incapaz, nada disso!. A questão aqui é a generalização, da sistemática exclusão do profissional sênior dos quadros de profissionais das empresas.

Pela natural ambição e ansiedade do jovem, em uma estrutura juniorizada, os valores e a sustentabilidade do negócio correm sérios riscos.

 

Perpetuação da juniorização

Uma outra prática que agrava este estado de coisas é a “blindagem” dos processos de recrutamento e seleção, que acaba excluindo o profissional sênior.

Muitas vezes o recrutador recomenda o profissional sênior mas este não consegue passar pelo crivo da equipe juniorizada. A explicação é:

1) O profissional mais jovem normalmente tem dificuldades em “comandar” um profissional mais velho,

2) O profissional mais jovem pode sentir-se ameaçado,

3) O profissional mais jovem pode ter receio em expor alguma deficiência,

4) O profissional mais jovem pode não possuir maturidade para lidar com o aprendizado, “são propensos a se julgar grandiosos e ter necessidade de admiração e aprovação” (segundo pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde americano).

 

Escassez de mão de obra e custo elevado do profissional sênior

Segundo alguns especialistas o fenômeno da juniorização se deve principalmente: 1) à escassez de mão de obra e 2) ao maior custo do profissional sênior, (com o que não corroboro)

Como mentor da BRexperts, uma rede de colaboração formada por profissionais seniores (http://www.brexperts.com.br), posso com segurança afirmar que não há “escassez de mão de obra”, pelo contrário, existe um contingente enorme de profissionais seniores em busca de “trabalho” – em muitos casos representando custos extremamente mais competitivos.

Não existe apagão de mão de obra, o que existe é a discriminação quanto à mão de obra sênior…. O profissional sênior está disponível e pronto para atuar.

 

Coaching e Mentoring

O efeito da juniorização da estrutura é melhor percebida nas áreas ligadas à gestão. A discussão portanto não abrange as áreas operacionais, onde a relevância da maturidade é menor.

O profissional sênior, inserido na estrutura, promove a harmonização do conjunto, em muitos casos atuando com técnicas de “coaching” e “mentoring” junto ao restante da equipe.

Algumas empresas contratam profissionais de “coaching” para amenizar os efeitos da juniorização (o caso das Lojas Riachuelo citada na reportagem da revista VocêRH).

 

Efeito manada

Um outro fator influenciador da juniorização da estrutura é o modelo que se consolida a partir de sua adoção generalizada. A partir de um certo ponto as empresas passam a adotar aquela política sem outros questionamentos, perpetuando e agravando o problema.

 

Inovação

A juniorização da estrutura vem na contramão da inovação… Não é possível viabilizar inovação através de uma estrutura juniorizada.

Há uma notória perda com relação à atuação e participação nos processos decisórios, na representatividade junto a órgãos públicos, privados, sindicatos, “stakeholders” em geral… ou seja, distanciamento dos fóruns importantes e estratégicos.

 

Equilíbrio

Como em tudo a resposta está no equilíbrio… É preciso mesclar a estrutura com profissionais seniores, bem preparados e dispostos a compartilhar com a equipe aquilo que somente o tempo provê. Pense nisso!