Análise de Negócios – Como se faz?

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Durante uma conversa com um executivo da área de TI de uma das maiores empresas do setor de seguros, sobre uma posição de Analista de Negócios para um projeto temporário, surgiram questões relacionadas ao papel do AN e algumas associações com “tirador de pedido” e “analista de requisitos”, o que me leva a compartilhar algumas reflexões sobre como devemos encarar a Análise de Negócios…

 

O que é Análise de Negócios (AN)

Tenho visto diferentes definições sobre o que é “Análise de Negócios”, todas mais ou menos equivalentes. Neste artigo disponibilizo para reflexão o meu próprio entendimento do assunto.

Na verdade não se trata de tema novo, a atividade sempre esteve presente nos processos ligados a resolução dos problemas empresariais, aplicados e exercitados das mais diversas formas.

O que talvez seja novo é a busca por uma padronização da forma de se praticar a Análise de Negócios, assunto tratado, por exemplo, no guia BABOK (Business Analysis Body of Knowledge®) do IIBA (International Institute of Business Analysis).

Voltando ao que interessa…, O que é Análise de Negócios?

Defino a “Análise de Negócios” como sendo o conjunto de atividades que permitem:

1) identificar os problemas e desafios do negócio,

2) contextualizar o cenário de negócios,

3) identificar as melhores soluções,

4) viabilizar, fazendo a interface entre o negócio e as soluções (tecnologias), através da interação com as partes envolvidas (stakeholders) e garantindo coerência com a visão estratégica da organização.

Portanto, como dito anteriormente, a prática da Análise de Negócios sempre existiu… A sua aplicação, pelo avanço da tecnologia e surgimento de novas ferramentas, sofreu algumas mudanças mas o conceito e a sua essência continuam os mesmos, constituindo uma forma de garantir a execução satisfatória da estratégia.

No guia BABOK® a Análise de Negócios é definida como sendo “a prática de viabilizar mudanças no contexto de uma organização pela definição das necessidades e recomendação de soluções que entreguem valor às partes interessadas”.

Sobre a definição acima (BABOK®), que sintetiza de outra maneira o que é a AN, apenas comento que, na minha percepção, a AN não necessariamente estaria vinculada à MUDANÇA já que a necessidade de mudança não precede a AN, ou seja, a necessidade de mudança (ou não) é uma das “entregas” da análise de negócios.

Fica fácil perceber que a atividade de AN pode ter um caráter preventivo e não necessariamente estaria vinculada à mudança.

Problemas e Desafios do negócio

Antes de avançar é preciso esclarecer o que é PROBLEMA e o que é DESAFIO do ponto de vista de negócio:

a) Problema é tudo aquilo que implica em perdas (de qualidade, de eficiência, de tempo, de recursos, de mercado etc).

b) Desafios são as oportunidades de melhoria, que agregam algum ganho para o negócio (de qualidade, de eficiência, de tempo, de recursos, de mercado etc), ou seja, não necessariamente um problema.

Conhecer o Negócio

Portanto, a primeira etapa para se praticar a Análise de Negócios é conhecer o negócio, seus problemas e os seus desafios.

Para tanto é preciso ter visão de conjunto, com especial atenção às inter-relações das diversas vertentes do negócio, multidisciplinar!

Várias são as técnicas e as ferramentas para se conhecer o negócio (e seus problemas e desafios): simples observação, entrevistas, análise de documentos, pesquisas, mapeamento de processos, etc. Muitas destas técnicas são apresentadas no guia BABOK®

Perfil do Analista de Negócios

Para o exercício isento da Análise de Negócios, é aconselhável que o profissional tenha um perfil “generalista”. Vale lembrar que todo generalista em algum momento de sua carreira foi especialista em alguma matéria, o que não desabona.

Por outro lado, note que o exercício da AN por um “especialista praticante” pode não ser muito interessante, já que suas ações poderão estar sob a influência da sua área de especialidade, o que pode tirar a isenção que a atividade exige.

Além disso, por dominar determinada matéria, o especialista pode, ao invés de exercer análise de negócios, se envolver em outras tarefas, o que certamente afeta a qualidade da AN.

Não irei abordar os outros aspectos do perfil do Analista de Negócios, mas obviamente vários são os pré-requisitos comportamentais essenciais para o bom desempenho da função de AN.

Note que uma das áreas de conhecimento do guia BABOK® trata justamente das “Competências Fundamentais”.

Análise de Negócio x Tecnologia da Informação

Outro grande equívoco é achar que a Análise de Negócios está associada apenas aos projetos de TI.

Perceba que as atividades de Análise de Negócios não têm necessariamente relação com projetos de TI. Qualquer empreendimento ou projeto se beneficia da prática da Análise de Negócios, pois, como dito acima, ela possibilita a identificação dos problemas e desafios do negócio, viabilizando os ajustes e as melhorias necessárias.

Por outro lado, talvez por isso também a confusão, a grande maioria dos projetos, em maior ou menor grau, sempre envolvem alguma componente de TI.

Confusões sobre o papel do AN

Outra questão recorrente, e talvez a mais preocupante, é a atribuição de atividades que conflitam com o papel do Analista de Negócios. Dentre estas, para exemplificar, a “análise de requisitos de software”.

Atividades dessa natureza estão associadas à “análise de sistemas” e, por serem mais operacionais, roubam a serenidade do Analista de Negócios, prejudicando a visão holística do negócio que este profissional deve ter.

Perceba que “análise de requisitos de negócio” é atribuição do Analista de Negócios, o que difere de “análise de requisitos de software”.

O BABOK®, por exemplo, indica que o foco do Analista de Negócios deve estar no Escopo do Produto (as características e funções que descrevem um produto, serviço ou resultado) enquanto que o Escopo do Projeto (o trabalho que precisa ser realizado para entregar um produto, serviço ou resultado com as características e funções especificadas) é foco do GP (gerente de projetos).

O produto no caso equivale ao NEGÓCIO (estratégia) e o projeto equivale a SOLUÇÃO (que realiza a estratégia).

Atomização da AN

Assim como praticado pela gerência de projetos, que divide projetos maiores em vários subprojetos, é possível realizar Análise de Negócios em diferentes níveis.

Contudo, ainda que se pratique AN na forma atomizada, é de extrema relevância manter o alinhamento com a estratégia corporativa.

Conclusão

Embora se perceba inúmeros avanços no estudo da Análise de Negócios e na sua aplicação nas organizações, é evidente a falta de informação predominante junto aos altos escalões das empresas.

Um dos maiores desafios da Análise de Negócios é, portanto, a conscientização dos empresários quanto à relevância do papel do AN e sua efetiva contribuição no desenho e realização da estratégia.

 

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