Gestão Empresarial – Quando as peças não se encaixam…

Muitos empresários perdem o controle de seus negócios por não perceberem a falta de sintonia e engajamento de sua equipe… Liderar é diferente de chefiar… Liderar requer entrosamento com a equipe, cumplicidade e clareza de objetivos. Para desenvolver liderança é necessária muita humildade, disposição para rever conceitos e a adoção de postura isenta, só assim é possível trazer visibilidade para as diferentes perspectivas…

Introdução

Muitos empresários sequer percebem a situação caótica de seus negócios até o problema atingir o bolso. Para estes tudo vai muito bem e todos estão felizes em seus postos de trabalho.

Normalmente são empresários de sucesso, com perfil dominante, muito capazes, técnicos e pragmáticos. Tendem a comandar sem efetivamente envolver a equipe ou, se as envolve, não acompanha como deveria, o que gera distanciamento e alguma perda de credibilidade.

No médio/longo prazo gera ineficiência e crescente falta de comprometimento e cumplicidade da equipe. A situação se agrava quando surgem dificuldades financeiras advindas de crises econômicas ou qualquer outra circunstancia adversa.

Entender o que está acontecendo é o primeiro passo, virar as costas e ignorar os fatos pode ser catastrófico para o negócio…

Questões financeiras

Os primeiros indicadores que sinalizam que algo não anda bem são provenientes dos demonstrativos financeiros… Muito provavelmente se os resultados obtidos são reiteradamente desfavoráveis, desalinhados dos objetivos estratégicos, algo errado está acontecendo…

Diagnóstico empresarial

Para se ter uma boa perspectiva da situação é necessário realizar o diagnóstico empresarial. O diagnóstico empresarial é multidisciplinar e leva em conta as várias componentes do negócio, em termos financeiros, organizacionais, tecnológicos, mercadológicos e estratégicos.

Ao realizar o diagnóstico é possível detectar os “gaps” de gestão e a dimensão das situações de não conformidade, permitindo assim priorizar e planejar as ações necessárias para resolver os desafios apresentados.

Proteger a receita

Ainda que todos concordem que preservar as receitas constitui prioridade notamos uma certa falta de atenção por parte dos empresários com relação isso.

Na tentativa de desenvolver algum novo negócio ou recuperar algum projeto deficitário, muitos empresários acabam comprometendo a fatia saudável do negócio, agravando a situação geral.

Para proteger a receita é preciso avaliar com muito critério as atividades lucrativas e prioritárias para o negócio, blindando-as.

Sistemas de Gestão

Independentemente do tamanho do empreendimento é de suma importância a utilização de um sistema integrado de informação (ERP, Enterprise Resource Planning), capaz de dar suporte aos processos de negócio de forma consistente. Negligenciar o uso da tecnologia representa um grave risco à perenidade do negócio.

Existem inúmeras soluções para “Sistema de Gestão” no mercado, algumas gratuitas, outras muito sofisticadas e extremamente caras, mas com certeza sempre haverá uma compatível com a realidade de cada negócio.

Sem um sistema de gestão adequado é quase impossível atender a todas as demandas de uma gestão eficaz.

Liderança

A liderança deve estar alicerçada em valores, nada se consegue quando a liderança se confunde com a relação de subordinação. A liderança em seu maior grau admite delegação integral, não requer supervisão e goza de confiança recíproca.

O líder promove um ambiente positivo e despreocupado, acredita
em si mesmo, nos outros e no futuro. O líder interage com todos de forma respeitosa e cooperativa para otimizar recursos humanos e materiais.

O líder se concentra nas ações importantes e evita desvios, cria um fluxo de significados entre as partes.

O líder mantém a calma e o ânimo independente das circunstâncias.

O líder sabe falar e escutar com igual aproveitamento.

Missão, Visão e Valores

Não se pode gerenciar o que não se pode medir… Não se pode medir o que não se pode definir… e não se pode definir o que não se entende…

Portanto entender os valores e os objetivos estratégicos da organização é o primeiro passo para efetivamente implementar um Sistema de Gestão.

Engajamento

Para que haja engajamento e colaboração faz-se necessário garantir o entendimento da missão, visão e valores da organização (da parede para a prática!).

Não há comprometimento onde não se entende os propósitos ou quando não há concordância de valores.

As pedras grandes primeiro

Para que haja fluidez das ações é preciso planejamento e foco. Pretender resolver tudo o tempo todo só gera mais preocupação… É importante concentrar-se naquilo que é importante e urgente primeiro (as pedras grandes).

Foco

Uma boa definição dos objetivos estratégicos é o que garante o foco. O foco dá significado para as ações e ajuda nas tomadas de decisão. Não há rigidez, admite flexibilidade, pois o mundo está em constante mudança.

Estratégia (Problema / Solução)

Estudar e definir uma boa estratégia é a garantia de bons resultados. Colocar o foco nas demandas do mercado é estar um passo à frente da concorrência. Não trata-se de vender o seu produto mas sim produzir o produto que resolve os problemas do seu mercado.

Entenda o seu “avatar”, pensar com foco no cliente já era… agora é pensar com o foco do cliente.

Fazer acontecer (PDCA)

Nada do dito até agora resolverá se não houver ação associada. Para obter resultado efetivo é preciso estabelecer um plano de ação e colocá-lo em prática.

Qualquer que seja o plano ele deve ser

a) RELEVANTE, deve conter um propósito que faça sentido e todos devem reconhecê-lo assim,

b) REALISTA, compatível com a realidade do negócio,

c) MENSURÁVEL, possível de ser medido ou avaliado (indicadores),

d) ESPECÍFICO, claro, objetivo e suficientemente detalhado,

e) TEMPORAL, com prazos definidos.

A relevância é citada em primeiro lugar propositalmente pois é o mais importante quesito em qualquer processo… Ninguém leva a sério algo que não concorda fazer sentido ou que não possua algum significado importante para ele e/ou para o negócio.

Um revolucionário é capaz de entregar a própria vida para defender a causa em que acredita”

Hábitos

Por fim, não poderia passar sem destacar a importância dos hábitos na gestão… Não há como gerar perenidade sem o desenvolvimento de hábitos… Uma gestão eficaz se constrói a partir de práticas saudáveis, muitas destas alicerçadas por atitudes ou comportamentos virtuosos.

São características comportamentais que definem como os indivíduos reagem diante de situações de conflito, dúvidas e pressões diversas.

A boa notícia é que existem métodos para desenvolver hábitos saudáveis, para ampliar a resiliência do indivíduo e auxiliar no desenvolvimento de um ambiente de trabalho mais adequado, produtivo e colaborativo.

Conclusão

O mundo a cada dia está mais globalizado e competitivo, com excesso de informações, muitas demandas e exigências cada vez mais complexas… Este estado de coisas leva o indivíduo à situações de extremo estresse, muitas vezes gerando alienação e indiferença.

Perceber esse contexto e atuar na raiz do problema (o indivíduo) irá tornar as questões técnicas muito mais simples de serem resolvidas.

Pense nisso!

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A NOSSA PERCEPÇÃO DOS RISCOS

RISK AHEADRecentemente realizei um trabalho que envolveu entrevistas com profissionais liberais, empresários e empreendedores, para avaliar um novo produto e assim determinar sua aderência com relação às necessidades. Embora o tamanho de nossa amostra não nos permita, com rigor, dizer que a mesma representa o grupo, em vários casos, foi possível observar a falta de percepção com relação aos riscos… Em parte por questões culturais mas também devido a programações subliminares sedimentadas no inconsciente do indivíduo. Neste artigo busco trazer visibilidade para essa questão como uma forma de prevenção contra os efeitos nocivos resultantes.

O que é risco?

Antes de avançar, para melhor entendimento, é necessário conceituar o que é “risco”… Risco pode ser entendido como uma possibilidade de ocorrência de algum evento não planejado, incerto, normalmente prejudicial ou danoso à saúde, ao patrimônio, à família ou à sociedade.

O que é necessidade?

Da mesma forma, é preciso definir necessidade… No contexto da abordagem deste artigo, é tudo aquilo que o indivíduo reconhece como útil para o seu desenvolvimento, crescimento, conforto ou sobrevivência. Dessa forma risco pode ser entendido como ameaças com relação à realização das necessidades do indivíduo.

Uma questão de ordem financeira

Do ponto de vista empresarial podemos dizer sem medo de errar que um dos quesitos mais relevantes, presentes em qualquer trabalho de consultoria, são as questões de ordem financeira.

A maior parte dos indicadores que alicerçam as ações de melhoria são financeiros. Podemos facilmente notar que, diante de qualquer problema, as primeiras sinalizações surgem ou são percebidas quando afetam o resultado financeiro.

Portanto, assegurar proteção contra possíveis ameaças ao resultado financeiro constitui prioridade número um.

Cultural

Nos últimos anos temos ouvido muito à respeito de “Educação Financeira”… Diversos programas de rádio e televisão, e na mídia em geral, surgiram e ainda estão presentes de forma incisiva e recorrente, martelando incansavelmente tais questões. Isso não é a toa… Trata-se de um problema real, as gerações mais antigas são ignorantes no assunto, o que pode levar a situação econômica, social e familiar grave.

Diferentes pesquisas mostram que o brasileiro não tem o hábito de planejar. Quanto se trata de aposentadoria, por exemplo, conforme pesquisa realizada pelo SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), 66% dos entrevistados não pensam no futuro.

Não pretendo discorrer sobre a questão da “Educação Financeira” especificamente mas é importante ressaltar que o tema compartilha a mesma raiz, cultural e comportamental.

O estudo propriamente dito

O estudo realizado buscou trazer visibilidade para duas questões principais: i) O fato das pessoas estarem vivendo mais e ii) Os riscos agravados pelas mudanças do cenário (globalização, falência da previdência pública, etc).

Dependendo do perfil do entrevistado a preocupação maior recai sobre uma ou outra questão.

Viver muito

Sobre viver mais, ou seja, maior longevidade. Todos os entrevistados demonstraram que percebem e concordam que estamos morrendo mais tarde… De acordo com as estatísticas do IBGE em 1940 a expectativa de vida do brasileiro era em torno dos 40 anos e atualmente chega aos 75 anos.

Praticamente todos acreditam que irão viver além dos 80 anos e a grande maioria conhece alguém, na ativa, que já ultrapassou essa barreira.

Existe consenso quanto a esse fato. Além disso, outras questões concorrentes, como, por exemplo, o perfil ativo do indivíduo mais idoso, não mais representado pela figura do “velhinho na cadeira de balanço”, nos mostram que os tempos mudaram.

Ainda, continuando por essa mesma linha de raciocínio, destaque também para a mudança das famílias em geral, como por exemplo: os filhos se casando mais tarde, os filhos morando com os pais por mais tempo, os pais sustentando os filhos adultos, etc

Morrer cedo

Sobre morrer precocemente, em função de acidente ou doença, o tema se revelou mais contido. Apesar da morte ser uma certeza inevitável é perceptível a forma tímida como o ser humano encara essa possibilidade.

A grande maioria dos entrevistados todavia demonstra grande interesse pela preservação de suas famílias. Todos consideraram importante garantir os estudos dos filhos e os meios mínimos para manutenção do mesmo padrão de vida.

Há também concordância quanto à falência dos serviços públicos, do sistema de previdência e ao agravamento geral deste cenário específico.

Planejamento

Ao abordar a questão planejamento, sobre como sistematizamos nossos esforços para atingir nossos objetivos, ficou evidente uma certa negligência quanto à priorização atribuída. Apesar de haver concordância sobre a importância de determinadas providencias, a priorização geralmente não respeita a ordem posta.

São questões comportamentais que talvez os estudiosos possam explicar melhor…
De acordo com a proposta skinneriana (Skinner, 1966/1969) podemos considerar um comportamento como sendo um processo envolvendo regras e contingências, ou seja, um comportamento é estimulado em função de determinadas regras (culturais, sociais, legais, religiosas, etc) e são modeladas conforme as contingências associadas (consequências).

Tendo isso em mente é fácil perceber que é muito simples nós mesmos nos autossabotarmos, justificando de forma frágil, para nós mesmos, que algo errado (contrário aos nossos objetivos originais) está certo (aderente às nossas necessidades).

Por exemplo: Imagine que você está de dieta e não está comendo doces, neste caso a regra é “não comer doces”… Você passa em frente a uma padaria e visualiza uma torna de morangos deliciosa e decide comê-la… repete para si mesmo(a) que só irá comer um pedacinho e isso não fará mal algum. Pronto! com isso você artificialmente retirou a contingência (ou consequência, engordar por exemplo) para validar ou justificar a sua atitude inconsistente.

Objetivos relativamente simples deixam de ser alcançados por falha de disciplina e planejamento.

Mitigar os riscos

O estudo realizado ainda mostrou que a grande maioria dos entrevistados sequer questiona a necessidade de se ter um seguro de automóvel (risco de roubo e acidentes), mesmo que nunca tenha sofrido qualquer acidente significativo.

Por outro lado, ao avaliar um seguro de vida, vitalício, com acumulação de reserva, aderente às necessidades previamente estudadas e compatível com o orçamento (no caso o produto objeto de nosso estudo) o processo decisório transita irracionalmente na mente de grande parte dos entrevistados, no “padrão torta de morangos”, exemplificado acima.

Conclusão

Nem sempre uma decisão tomada é fiel à real necessidade. O ser humano tem uma capacidade incrível. Uma mente destreinada se torna vulnerável à autossabotagem.

A autossabotagem habita o inconsciente, representa a tentativa da sua mente de manter o status quo e garantir que nenhuma grande mudança ocorrerá.

Assim como já acontece no campo da “Educação Financeira”, é preciso promover a educação também no âmbito da “Gestão de Riscos”, para minimamente garantir condições mais favoráveis para as nossas famílias, sócios, empresas e sociedade em geral, assegurando caminhos mais suaves em situações de contingência.

Pense nisso!