Para onde caminha a Educação…

Durante a minha caminhada como consultor em Gestão Empresarial e estudante de Pedagogia, envolvido nos processos de gestão de um conceituado Grupo Educacional, certa ocasião recebi um convite para dar aulas de Física para o ensino médio, em substituição a uma professora em licença maternidade. À princípio o convite pareceu mais uma provocação em tom de brincadeira, mas, para a surpresa de todos, aceitei o desafio, o que se revelou uma excelente oportunidade para conhecer melhor o público que instituição atende e as várias vertentes de influência dos processos de gestão, aprendizado compartilho neste artigo.

A Pedagogia

Inicialmente é preciso esclarecer… Pode parecer estranho um consultor em gestão empresarial se envolver com aulas de Física… O que uma coisa tem a ver com outra?

Qualquer profissional que pretenda atuar como consultor deve ter um mínimo de atuação à nível multidisciplinar, pois, para um bom diagnóstico, é preciso ter visão de contexto.

No meu caso, por ter cursado Física (2 anos) e Engenharia, sempre com excelente desempenho na matéria, não causou estranheza a proposta para revisitar esses conteúdos, principalmente em vista de meus estudos correntes na área de Pedagogia.

A motivação

A grande motivação para aceitar o desafio surgiu em virtude da oportunidade para conhecer, em maior detalhe, aquela parcela do público-alvo da instituição, auxiliando o entendimento do quebra cabeças da gestão pedagógica.

Na área de gestão costumamos dizer que é preciso atuar com o foco do cliente, o que é diferente de “foco no cliente”. Atuar com o foco do cliente significa entender todos os aspectos envolvidos a partir da visão do outro.

Portanto, a aproximação em sala de aula é imprescindível para entender o que move esses alunos, como eles se comportam, como a equipe pedagógica reage, como as famílias se posicionam, etc

O modelo pedagógico

Segundo os mais recentes estudos na área de Pedagogia é unanime o entendimento de que o processo de ensino aprendizagem deve considerar práticas contextualizadas que resultem em uma aprendizagem significativa, em oposição à transmissão mecânica de conteúdo.

[…] Nesse sentido, Morin (2000, p. 14) destaca que: “É necessário introduzir e desenvolver na Educação o estudo das características cerebrais, mentais, culturais dos conhecimentos, de seus processos e modalidades, das disposições tanto psíquicas quanto culturais que conduzem ao erro ou à ilusão”.

Conclui-se que a preocupação com os estudos dos processos cognitivos dos alunos pode auxiliar a superar a visão de que o professor precisa dominar todo o conteúdo de determinada aula. Talvez seja mais válido construir conhecimentos e aprendizagens junto com os alunos, de maneira colaborativa, priorizando o processo cognitivo de todos os envolvidos […]

O próprio modelo preconizado na base nacional curricular comum (BNCC), faz referências a tais iniciativas, destacando:

[…] • contextualizar os conteúdos dos componentes curriculares, identificando estratégias para apresentá-los, representá-los, exemplificá-los, conectá-los e torná-los significativos, com base na realidade do lugar e do tempo nos quais as aprendizagens estão situadas;

decidir sobre formas de organização interdisciplinar dos componentes curriculares e fortalecer a competência pedagógica das equipes escolares para adotar estratégias mais dinâmicas, interativas e colaborativas em relação à gestão do ensino e da aprendizagem; selecionar e aplicar metodologias e estratégias didático-pedagógicas diversificadas, recorrendo a ritmos diferenciados e a conteúdos complementares, se necessário, para trabalhar com as necessidades de diferentes grupos de alunos, suas famílias e cultura de origem, suas comunidades, seus grupos de socialização etc.;

conceber e pôr em prática situações e procedimentos para motivar e engajar os alunos nas aprendizagens;

construir e aplicar procedimentos de avaliação formativa de processo ou de resultado que levem em conta os contextos e as condições de aprendizagem, tomando tais registros como referência para melhorar o desempenho da escola, dos professores e dos alunos;

selecionar, produzir, aplicar e avaliar recursos didáticos e tecnológicos para apoiar o processo de ensinar e aprender; […]

Portanto é evidente a necessidade de profunda reflexão sobre as ações práticas que possibilitam o ensino aprendizagem de maneira colaborativa, enfatizando a aprendizagem significativa.

Inovação

Como todo bom consultor, que não consegue se aquietar quando vê alguma não conformidade, desejoso de ver as melhorias implementadas, percebi ali uma oportunidade para rever o modelo vigente, o qual era essencialmente conteudista.

Antes de prosseguir cabe esclarecer o conceito de “Inovar”, simplificadamente podemos dizer que é fazer algo diferente com resultado.

Portanto não basta equipar as salas de aula com computadores, lousa eletrônica, entre outros diferentes aparatos tecnológicos, é necessário MUDAR o processo de como o ensino aprendizagem acontece, não basta mudar apenas a FORMA (com ou sem tecnologia).

Percebi que o modelo vigente em muito se assemelhava àquelas salas de aula de 100 anos atrás, o professor de um lado e os alunos sentados do outro, o professor apresenta o conteúdo e aplica as provas, sem maior comprometimento entre as partes.

Assim considerei que as premissas para a inovação seriam: (i) Promover uma atitude mais participativa dos alunos, mais protagonista de sua própria aprendizagem e, (ii) uma postura mais mediadora do professor, ensino menos conteudista.

A proposta

Inicialmente busquei sensibilizar o grupo de alunos quanto às expectativas da proposta, o caminho a trilhar e os objetivos a perseguir.

Talvez em virtude do baixo rendimento geral do alunos, vigentes até então, qualquer mudança poderia significar melhores notas, o que facilitou a aceitação geral do grupo.

Além disso, em que pese o caráter denso e complexo da matéria, Física, a conectividade com o mundo real poderia significar um facilitador para um ensino aprendizagem mais significativo.

Por outro lado, considerando o contexto tecnológico atual, o fácil acesso à informação e o interesse natural dos alunos pela internet, a melhor estratégia seria a apropriação desses instrumentos para o desenvolvimento das atividades.

A ideia central da proposta portanto consistia em: (i) apresentação dos conteúdos a estudar (pelo professor, como mediador), (ii) pesquisa dos temas propostos (pelos alunos, como protagonistas da própria aprendizagem), (iii) apresentação em sala de aula (pelos alunos mediados pelo professor), (iv) discussão sobre o temas tratados, revisão (professor e alunos);

A rejeição

A experiência fracassou no momento em que gerou demanda para alunos… Os quais não estavam habituados a pesquisar, buscar informação, refletir, planejar, criticar, etc.

A grande maioria se apresentou confortável na posição de aluno passivo, com o único compromisso de fazer prova e passar de ano, descompromissados com o efetivo aprendizado.

Deste ponto em diante, o trabalho adquiriu outro sentido, a reflexão mudou de foco, adquirindo um viés comportamental.

O perfil do aluno

Ficou evidente que o modelo pedagógico desejado, por si só, não pode ser implementado sem um trabalho prévio no âmbito comportamental.

O experimento evidenciou de forma muito clara a carência de maturidade das novas gerações, a falta de propósito reinante entre os adolescentes, a falta de respeito e senso de responsabilidade, entre outras fragilidades. Uma situação geral que muitas vezes também são influenciadas por condutas permissivas no âmbito familiar, resultando em indivíduos despreparados para lidar resilientemente com o mundo real.

Conclusão

De um lado fica a frustração de ver a situação vigente, o despreparo da geração que tem o compromisso de melhorar o mundo, porém fico feliz por ver que há profissionais e grupos educacionais, preocupados com a problemática e que todos os dias buscam uma forma de melhorar o mundo.

Eu particularmente, a poucos meses de me tornar Pedagogo, percebo a importância do trabalho de base, da educação em geral, como tenho visto na organização em questão, a exemplo de projetos como “Os amigos do Zippy” e “O Líder em mim”, entre outros, que exploram precocemente as questões comportamentais e emocionais, o que certamente, irá resultar, no futuro, em adolescentes mais preparados para o modelo de ensino aprendizagem colaborativo, como preconizado pelos estudiosos do assunto.

Anúncios

A diferença entre padronizar e harmonizar

Em trabalpadronizarho recente realizado para um Grupo empresarial do ramo educacional pude vivenciar como os pequenos detalhes de interpretação podem impactar de forma significativa as estratégias adotadas e o sucesso das organizações.

 

 

Padronização
A padronização sempre foi vista como uma forma de racionalizar a utilização de recursos e alavancar melhor produtividade, entre outras melhorias de ordem administrativa. Porém essa máxima não necessariamente é verdadeira, e na maioria das vezes não é!

No âmbito da administração podemos dizer que um processo padronizado é um método efetivo e organizado de produzir sem perdas.

Isso talvez fosse 100% verdade no passado, quando as mudanças eram lentas e de pequena magnitude. Nos dias de hoje, e provavelmente nos dias que virão cada vez mais, é inconcebível a ideia de situações estáticas e iguais, dadas as inúmeras variáveis que compõem o universo de contextos que formam a sociedade e as organizações. Admitir que as diferenças é algo importante a considerar constitui premissa essencial.

Neste sentido, no âmbito das organizações, propor a padronização pura e simplesmente pode significar a ruptura definitiva com aquilo que podemos chamar de “inovação”.

O conceito de inovação é bastante utilizado no contexto empresarial e, neste sentido, significa criar novos caminhos ou estratégias para atingir resultados melhores. Inovar é fazer diferente e melhor.

O igual como condição de discriminação
Me lembro que quando criança meu pai vivia repetindo que todos os filhos eram iguais e se ele  não fazia algo por um também não faria pelo o outro, e, se fazia por um, teria necessariamente que fazer pelos demais também. Confesso que muitas vezes isso significou prejuízo para um ou para todos, já que, obviamente, as necessidades de cada um eram bem diferentes.

Essa questão é bem explorada na parábola do filho pródigo, talvez a mais conhecida parábola de jesus, que a princípio parece injusta, quando o pai favorece um filho supostamente não merecedor, mas que na verdade era aquele que dele mais precisava, naquele momento (Lucas 15:11-32).

O diagnóstico, prescrição x necessidade (qual é a dor?)
Admitindo portanto que as “diferenças” devem ser levadas em consideração, quer seja pelos diferentes contextos ou pelas mudanças que ocorrem o tempo todo, é de primordial importância analisar a padronização com olhos cuidadosos.

O que parece trivial para o empresário na verdade é extremamente complexo, demanda zelo e cuidado para não engessar a organização e privá-la da inovação.

Normalmente o empresário imagina que precisa padronizar para obter melhores resultados mas na verdade o que realmente se faz necessário é a harmonização. As diferenças devem coexistir harmonicamente, sem causar transtorno para a estratégia adotada.

Neste sentido, torna-se evidente que cada filial ou unidade de negócio, deve ser avaliada levando-se em consideração as suas particularidades e também como estas se integram com o conjunto, sem causar ruídos, de forma a amplificar os resultados do Grupo.

Prescrever padronização portanto não é a melhor forma de atingir os resultados que as organizações demandam, ainda que, em muitas instancias, é o que se deve ser feito, porém sem generalizações.

O Foco de qualquer trabalho que busca MELHORIA CONTÍNUA deve estar no resultado que se deseja. Prescrever tratamento sem se ater às dores do paciente é leviano e pode gerar efeitos colaterais indesejados.

Metodologias
Para abordar tais questões diferentes metodologias podem ser adotadas, “design thinking”, “business analysis”, “análise 360 graus”, “diagnóstico empresarial”, “business process management”, etc. Os conceitos se interligam e não necessariamente é preciso se ater à metodologia especifica, mesmo porque tais denominações são representações de ordem didática que os vários autores se utilizam para facilitar o entendimento dos conceitos.

Na verdade o conhecimento sempre existiu, ele é latente no universo ilimitado. As metodologias, apresentadas pelos seus respectivos autores, são apenas modelos de ordem didática, que se prestam a compartilhar o conhecimento, cabe a cada um fazer as conexões necessárias para tirar o melhor proveito em suas implementações.

Conclusão
Vivemos num mundo em constante transformação, com mudanças cada vez mais rápidas, demandas novas a cada dia, o que requer um olhar constante sobre as práticas adotadas e as adaptações que se fazem necessárias.

Neste contexto padronizar não representa a questão central, o momento requer harmonização, requer avaliar como as diferenças podem COEXISTIR e beneficiar o conjunto, propiciando um olhar mais crítico sobre como fazer mais e melhor, ou seja, como INOVAR.

Pense nisso!